Mercado ajusta ganhos e bolsa recua 1,32%

SÃO PAULO, 24 de março de 2009 - Passada a euforia com a divulgação dos detalhes do pacote de salvamento do setor financeiro, os principais mercados acionários mundiais realizam lucros nesta quarta-feira, inclusive a bolsa brasileira. Há pouco, o índice acionário da BM&FBovespa recuava 1,32%, aos 41.879 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,05 bilhões.

Sem indicadores relevantes programados para hoje, os investidores ficaram atentos aos depoimentos de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e Timothy Geither, secretário do Tesouro, na Câmara do Representantes, sobre a seguradora AIG.

A iminente falência da AIG teria oferecido riscos inaceitáveis para a economia mundial e, principalmente, norte-americana, justificou Bernanke, em interpelação no Congresso norte-americano, sobre as ajudas governamentais oferecidas à seguradora.

"O Estado e governo local teriam sofrido perdas de US$ 10 bilhões que haviam emprestado a AIG. Os fundos de pensão tinham comprado cerca de US$ 40 bilhões em seguros contra desvalorização de seus passivos. O mercado monetário de fundos mútuos entre outros papéis comerciais detidos pela seguradora ultrapassavam US$ 20 bilhões, que também seriam perdidos. Foi dentro deste cenário que tomamos nossa decisão", afirmou o presidente do Fed, completando que conceder ajuda à seguradora "foi uma decisão difícil, mas necessária."

Bernanke também comentou o polêmico pagamento de bônus aos executivos da seguradora, que caracterizou de "inapropriado, uma vez que são eles os principais culpados pelo colapso na instituição". Bernanke relatou que teria tentado bloquear o pagamento dos bônus, mas foi aconselhado a não prosseguir. Estes bônus teriam sido acordados com os executivos antes da intervenção do governo na instituição e, caso a ação do governo para tentar barrar o pagamento dos prêmios fracassasse, o montante pago poderia até triplicar.

Além da acomodação de preços, as palavras nada otimistas do analista do Bank of America (BofA), Richard Bernstein, pressionam os mercados. De acordo com o analista, os investidores devem vender ações de grandes bancos norte-americanos uma vez que o plano do Tesouro dos EUA não evitará um recuo nos lucros das instituições financeiras.

Por aqui, as ações ordinárias da Tim lideram os ganhos do pregão ( +7,26%) após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manter a decisão que determina que o consórcio Telco - liderado pela espanhola Telefonica - realize uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações ordinárias (ON) da TIM Participações.

(Vanessa Correia - InvestNews)