Marca própria é saída para driblar a crise

SÃO PAULO, 24 de março de 2009 - Diante da atual situação econômica, os varejistas estão de olho em um filão que tem tudo para alavancar o faturamento de seus estabelecimentos e cair no gosto do freguês, atualmente mais atento e cauteloso com seus gastos. A aposta está nos produtos de marca própria, que passam a ganhar mais espaço, principalmente, nas gôndolas de supermercados.

A expectativa é de um aumento de 15% no volume de vendas, ante um crescimento registrado de 7% no ano passado, segundo a Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirizações (Abmapro).

A mudança de hábito, segundo Marco Quintarelli, consultor de varejo do Grupo Azo e sócio-fundador da Abmapro, não será apenas sentida na mesa dos consumidores. Tudo indica que lojas de roupas e acessórios e de materiais de construção podem também sair no lucro ao oferecerem produtos a preços acessíveis. Para o consultor, "trata-se de uma ótima relação custo-benefício, já que a diferença de preço pode variar de 5% a 20% mais baratos que os produtos de categoria".

Os produtos de marca própria mais consumidos pelos brasileiros são os de alimentação básica, como arroz, feijão, café, farinha de trigo, achocolatado, biscoito e produtos de limpeza. No entanto, um dado curioso chama a atenção. De acordo com Quintarelli, dentre os 18 milhões de lares que consumiram pelo menos um produto de marca própria - cerca de 50% dos domicílios brasileiros segundo a última pesquisa Nielsen de setembro de 2008 -, a classe A/B lidera o ranking ao consumir produtos do gênero (mais de 54% ou 4,1 milhões de pessoas). A classe C teve uma participação de aproximadamente 47,5% (7,6 milhões de pessoas) e 47,4% foi representado pela classe D/E (6,2 milhões).

"A classe A/B não abre mão de roupas de grife e de uíques importados, não se importando, porém, com a marca em si ao adquirir seus itens de alimentação. Por outro lado, a classe C é mistificada pela mídia e faz questão de servir na mesa produtos líderes de categoria", diz o consultor.

Embora no Brasil a participação das marcas próprias seja estimada em pouco mais de 7% do total - sustentadas por redes como Wall Mart, Pão de Açúcar, Carrefour e Macro -há países como Suíça, Inglaterra e Alemanha em que a sua participação supera 30% das vendas totais. "Nos Estados Unidos, a marca própria de supermercados e as roupas de lojas de departamento serão as grandes vedetes escolhidas para superar a crise", aponta.

Quintarelli lembra que o sucesso da marca própria é resultado de uma série de vantagens, "como uma forte indústria de certificadores de qualidade e de alto nível" que trabalha em prol de fabricantes, varejistas e consumidores.

Para o fabricante, essas marcas criam oportunidades para a ocupação de capacidade, sem a necessidade de estabelecer uma marca. Já para os varejistas, os produtos de marca própria permitem a livre concorrência com produtos líderes de categoria, criando boas opções de outros produtos de alta qualidade e com preços competitivos.

(Ciça Ferraz - InvestNews)