Investidores embolsam ganhos e dólar sobe a R$ 2,256

SÃO PAULO, 24 de março de 2009 - Os mercados mundiais operam em compasso de ajuste nesta terça-feira e voltam a focar as incertezas da crise, passada a euforia com o plano de socorro aos bancos norte-americanos. Após oscilar entre as pontas de R$ 2,255 e R$ 2,266, o dólar chegou próximo ao fim da manhã vendido a R$ 2,256, com valorização de 0,49%.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, avalia que após a euforia inicial com o pacote, restam as dúvidas sobre o sucesso da implementação das medidas. "Mesmo com a participação do governo com capital e garantias no fundo para compra de ativos tóxicos, é incerta a atratividade tanto por parte de quem ofertará as carteiras de títulos tóxicos - que expõe as fragilidades e pode ter um deságio muito alto no preço nos leilões - como por parte da demanda", destaca.

Além da acomodação de preços, as palavras nada otimistas do analista do Bank of America, Richard Bernstein, pressionam os mercados. Segundo ele, os investidores devem vender ações dos grandes bancos de Wall Street porque o plano do Tesouro dos EUA não impedirá um recuo nos lucros do setor, que se depara com crédito congelado e elevado desemprego, reduzindo a propensão das famílias na realização de empréstimos. Por outro lado, traz alento aos negócios o desempenho positivo do Deutsche Bank e do Credit Suisse nos primeiros meses do ano.

No Brasil, a conta corrente apresentou um resultado positivo, se comparada a trajetória suposta frente aos desafios da crise internacional: déficit de US$ 591 milhões em fevereiro. O saldo é ainda fortemente negativo, e contrasta com a bonança de anos atrás. Porém, o dado é positivo e deve ser comemorado. Soma-se a isso o resultado melhor que o esperado no Investimento Estrangeiro Direto que no mês passado chegou a US$ 1,968 bilhão, valor 121% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Depois do fechamento dos negócios, o presidente dos EUA, Barack Obama, volta a público. Nesta manhã, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, acompanhado do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disseram que a quebra da seguradora AIG seria um risco inaceitável para a economia. "O apoio a AIG foi um passo difícil, mas necessário para proteger a economia e estabilizar o sistema financeiro", destacou Bernanke.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)