Após otimismo da véspera, negócios caem

SÃO PAULO, 24 de março de 2009 - Após a euforia com a divulgação detalhada do plano do governo de Barack Obama para limpar os papéis tóxicos dos balanços dos bancos, a ressaca tomou conta dos mercados globais nesta terça-feira e o resultado foi de queda nas bolsas mundo afora.

Em Wall Street, contribuiu para a baixa o fato de Ben Bernanke e Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e secretário do Tesouro, respectivamente, declararem que é necessária regulação mais firme no setor financeiro para restringir os riscos assumidos pelas empresas que possam pôr em perigo o sistema financeiro. Além disso, Paul Krugman, Nobel de Economia, afirmou que o governo norte-americano terá de nacionalizar grandes bancos. A queda do preço do petróleo e dos metais também favoreceu a desvalorização.

O Dow Jones registrou baixa de 1,49%, para 7.660,21 pontos. O S&P 500 apresentou desvalorização de 2,05%, fechando o dia nos 806,04 pontos, enquanto a Nasdaq caiu 2,52%, atingindo 1.516,31 pontos.

Por aqui não foi diferente, depois de uma alta de quase 6% na véspera, a sessão desta terça-feira foi de realização de lucros para os principais mercados acionários mundiais. Sem notícias negativas, o índice acionário da BM&FBovespa encerrou o dia em queda de 2,27%, aos 41.475 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,14 bilhões.

Já o dólar foi perdendo o fôlego gradativamente e operou praticamente estável no período da tarde. Porém, ao final dos negócios, a moeda norte-americana fechou o dia em leve baixa de 0,18%, vendida a R$ 2,241.

Contribuiu para que o dólar mantivesse esse intervalo entre R$ 2,24 e R$ 2,27 a divulgação da nota do setor externo mostrando que mesmo diante de uma situação mundial bastante adversa, a desaceleração doméstica e o câmbio flutuante ainda favorecem perspectivas positivas para o Balanço de Pagamentos, quando comparado com outros países.

Em fevereiro, o déficit em conta corrente somou US$ 591 milhões. Neste período, o resultado do Investimento Estrangeiro Direto chegou a US$ 1,968 bilhão, valor 121% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.

No mercado de juros futuros, as projeções apontaram para cima na BM&FBovespa. O movimento não é considerado tendência pelos operadores e sim de realização de lucros. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010, o mais líquido, indicou juro de 9,88%, ante 9,73% do ajuste de ontem. Esse vencimento contabilizou 350,3 mil contratos fechados, com giro financeiro de referência de R$ 35,5 bilhões. O DI de julho deste ano avançou de 10,34% para 10,41%, após 96,8 mil contratos fechados. O volume financeiro foi de R$ 9,4 bilhões.

Para amanhã os agentes financeiros aguardam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de março que deverá mostrar expressiva desaceleração ante o IPCA fechado de fevereiro (0,55%).

(Redação - InvestNews)