Sindicalistas advertem que segurança é precária na Petrobras

Ricardo Rego Monteiro, Jornal do Brasil

RIO - Diante da paralisação de cinco dias dos petroleiros iniciada na madrugada desta segunda-feira, a Petrobras acionou o plano de contingência para assegurar a normalidade do abastecimento de combustíveis do país. A Federação Única dos Petroleiros, coordenadora do movimento, adverte, porém, que a medida poderá não só comprometer a qualidade da distribuição da gasolina e do óleo diesel produzidos pela Petrobras, como até mesmo colocar em risco a integridade das unidades e dos funcionários envolvidos na operação.

O problema é que o plano de contingência prevê a utilização de pessoal com menos experiência e funcionários até da área administrativa na operação de plataformas. Isso aumenta o risco de acidentes em áreas de operação mais complexas, como plataformas e refinarias adverte o diretor de Comunicação da FUP, Marlúzio Ferreira.

Embora a Petrobras não confirme, a FUP anunciou que cerca de 30 mil petroleiros aderiram à greve, o que representaria 70% do contingente total do país. Ainda de acordo com a FUP, a paralisação chegou a interromper a produção de petróleo na camada do pré-sal, conduzida pela plataforma P-34, que opera no campo de Jubarte, no litoral do Espírito Santo. A produção, de acordo com os petroleiros, só teria voltado ao normal depois de acionado o plano de contingência. De acordo com balanço da FUP, todas as unidades da Petrobras espalhadas pelo país aderiram à greve. Isso incluiria, além de pessoal administrativo, funcionários de plataformas, refinarias e terminais portuários.

Petrobras nega

A Petrobras nega que a paralisação das operações no pré-sal tenha ocorrido. Admite, no entanto, que os trabalhadores de 12 das 40 plataformas das bacias de Campos e Espírito Santo teriam aderido à greve. Nenhum executivo da empresa quis comentar as denúncias da FUP de uma suposta falta de segurança devido ao plano de contingência, mas um comunicado oficial reafirma o compromisso da companhia com a segurança das operações das unidades em terra e em mar. Também afirma que o abastecimento do país transcorreu normalmente no primeiro dia da paralisação.

Além de reivindicar a manutenção de empregos nas empresas terceirizadas, os grevistas exigem, entre outras coisas, o fim das condições precárias de trabalho principalmente nas plataformas, que, de acordo com comunicado da FUP, produz acidentes com vítimas fatais a cada ano.

O relatório anual da Petrobras confirma o registro de 92 acidentes com mortes entre 2003 e 2008. Só em 2008 foram verificadas 18 ocorrências com vítimas fatais, das quais cinco em trânsito. No ano anterior, foram contabilizados 15 acidentes, dos quais nove em trânsito.

As empresas terceirizadas que mais investem em segurança e treinamento têm sido as mais prejudicadas nas renegociações dos contratos com a direção da Petrobras, porque o treinamento encarece os custos dos contratos afirma o diretor de Comunicação da FUP.

O consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), não identifica maiores riscos de desabastecimento de combustíveis no país por causa da paralisação dos petroleiros. A não ser, ressalva Pires, que o movimento dure tempo suficiente para consumir os estoques da empresa. Para o consultor, no entanto, esse não deverá ser o caso da greve desta semana.

A Petrobras não informa o volume do estoque estratégico de combustíveis, tampouco a capacidade de duração, mas fontes da própria companhia confirmam, no entanto, a capacidade de abastecer o mercado por até 40 dias. Cerca de 80% dos combustíveis consumidos no país são produzidos nas refinarias do Brasil 20% é importado.