Secretária defende maior tarifa para água em SP

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - A Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Seli Pena, defendeu hoje o aumento na tarifa da água. "É preciso reajustar o preço da água para que seja resolvido o problema das perdas pelas companhias durante os processos de fornecimento e de desperdício pelos consumidores", disse a secretária, completando que o preço pago pela água é irrisório. A avaliação foi feita durante o seminário Gestão Estratégica da Água, organizado pela Gazeta Mercantil, no Conselho regional de Química, em São Paulo.

"Reduzir as perdas exige investimentos por parte das empresas, para isso é preciso reajustar tarifas de forma que possibilitem esses investimentos", disse. Ela completou que o valor pago pelo consumidor não incentiva cuidados com o desperdício. "Incorporamos normalmente gastos com comunicação, incorporamos muito bem e felizes o uso do celular, tv a cabo, internet. Já quando há reajuste no preço da água é visto como um grande problema. Esta é uma questão delicada que deverá ser superada por meio do uso consciente da água", avaliou Dilma, completando que "equalizar o uso da água é uma questão de sobrevivência."

A Secretária lembrou que o Brasil possui entre 12% e 14% das reservas hídricas do planeta, sendo que apenas 1,6% deste total encontra-se no Estado de São Paulo, 70% deste número concentra-se na Amazônia. "Isso é preocupante. São Paulo possui 22% da população brasileira e é responsável por 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto Brasileiro), devido ao alto número de indústrias na região. Nosso consumo é muito alto", alertou a secretária.

Em meio ao cenário de preocupação. O professor universitário e vice-presidente da Bacia do Rio Pardo, Paulo Finotti, destacou uma medida que deverá contribuir para o melhor uso da água, "pelo menos por parte das empresas". Segundo ele, a partir de janeiro de 2010 as companhias fornecedoras de água deverão pagar pela utilização dos recursos hídricos no Estado de São Paulo. A declaração também foi feita durante o seminário. Segundo o professor, a cobrança será feita sobre o volume de água perdida no processo de fornecimento e sobre o volume de água poluída lançada em esgoto. "As companhias serão impedidas de repassar aos consumidores os custos para o pagamento da taxa", destacou Finotti.

A tarifa será recolhida pelos Comitês de Bacia do Estado, que deverão utilizar o montante para investimentos em infraestrutura, buscando minimizar as perdas de água e tratamento de esgoto. "Essa cobrança é um instrumento de gestão, e não mais uma taxa", avaliou o professor.

Finotti destacou que as companhias que investirem na redução das perdas, tratamento de afluentes e reuso da água serão compensadas com a redução ou mesmo eliminação da cobrança.

Também durante o seminário, o presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Gesner Oliveira, destacou que algumas empresas já vêm se preocupando em reduzir perdas de água. "Nos últimos anos reduzimos nossas perdas de 32%, para 28%. A expectativa é reduzir este número para 24%, até 2010", afirmou Oliveira. A média nacional de perda de água das companhias fornecedoras é de 40%.

(Carina Urbanin - InvestNews)