Plano dos EUA injeta ânimo e dólar cai a R$ 2,245

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - Após moderada recuperação dos mercados internacionais, a semana começou sob nova injeção de ânimo aos investidores fornecido pelo anúncio do plano de compra de ativos tóxicos dos bancos por parte do Tesouro norte-americano. O programa visa limpar cerca de US$ 1 trilhão destes ativos dos balanços das instituições, utilizando recursos público-privados. Nesta segunda-feira, as principais bolsas de valores acumularam acentuados ganhos, com as ações dos bancos liderando as altas, enquanto o dólar perdeu valor em escala mundial. Aqui, a moeda estrangeira fechou em baixa de 0,88%, vendida a R$ 2,245.

Para o superintendente da Tesouraria do Banco Fibra, Mário Cebrian, o cenário nebuloso que permeou o ambiente de negócios recentemente tende a perder força no curto prazo. "Há um relativo otimismo nos mercados por conta dos preços, já que houve uma queda muito forte", comentou.

O tom mais otimista do presidente dos EUA, Barack Obama, em relação à economia e aos dados de vendas de imóveis usados - que subiu ao ritmo mais rápido em quase seis anos no mês de fevereiro - também passou mais confiança à sociedade. Obama disse ontem, em entrevista a um programa de televisão, que já começa a ver luzes de esperança para a economia dos Estados Unidos, em meio à recessão, e que a recuperação poderá ser mais rápida do que em outras crises.

Segundo Cebrian, a tendência é o dólar perder valor no curto prazo, em meio à desalavancagem dos mercados. "Diante das incertezas, as dívidas como um todo não estavam sendo roladas e a demanda técnica para liquidar esses compromissos pressionou o dólar".

Apesar de perder valor em todo o mundo, no Brasil o dólar resiste à queda. Na visão de Cebrian, os investidores se mostram reticentes, à espera da decisão do Banco Central de rolar ou não os US$ 7 bilhões em contratos de swap cambial que vencem na virada do mês. "No curto prazo, o câmbio deveria cair entre R$ 2,15 e R$ 2,20. Entretanto, as incertezas sobre o BC pressionam". Nos últimos meses, a autoridade monetária não rolou os 100% dos contratos de swap, como se estivesse atuando na ponta de compra. Porém, a menor aversão ao risco, pondera Cebrian, reduziria o tamanho do desconforto dos US$ 7 bilhões, caso o BC deixe esses contratos vencerem.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)