Executivos vão devolver US$ 80 milhões do bônus da AIG

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NOVA YORK - Um total de 15 dos 20 executivos que receberam os mais altos bônus da American International Group (AIG) concordaram em devolvê-los, disse o procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo nesta segunda-feira. Ao todo, serão US$ 30 milhões devolvidos, mas ele afirmou que espera reaver US$ 80 milhões dos pagamentos de bônus pagos pela gigante de seguros em 15 de março.

Inicialmente cifrados em US$ 165 milhões, o bônus seriam maiores que o calculado, chegando a US$ 218 milhões, informou no sábado o procurador-geral de Connecticut, Richard Blumenthal.

- Vários deles tomaram a iniciativa e eu os aplaudo - disse Cuomo, que está investigando vários bancos e empresas, incluindo a AIG, que receberam recursos de um pacote de ajuda do governo e pagaram bônus vultuosos a seus funcionários.

A investigação de Cuomo pretende determinar se a AIG violou leis do mercado financeiro ao não divulgar informações sobre a premiação de bônus para executivos em 2008, mesmo estando prestes a falir e contando com dinheiro do governo americano para permanecer operante.

Os bônus foram distribuídos entre altos funcionários da divisão da AIG que justamente deixou a empresa à beira do colapso e cujos intrincados negócios com redes de bancos mundiais foram, em parte, o gatilho da crise financeira global.

Na semana passada, a Câmara de Representantes (deputados) dos Estados Unidos aprovou projeto de lei tributando 90% dos prêmios pagos por empresas, tais como os bônus concedidos aos executivos da seguradora AIG, ajudada pelo Estado com cerca de US$ 170 bilhões.

Respondendo ao incômodo público e político causado pelo pagamento de bônus após a seguradora receber ajuda do governo para continuar operando, a Câmara aprovou o projeto por 328 votos a 93. A lei impõe um imposto de 90% sobre os bônus pagos a executivos cujas rendas excederem US$ 250 mil.

A AIG foi salva da falência com uma injeção de US$ 85 bilhões por parte do governo em setembro pasado, quando Geithner dirigia o FED de Nova York e estaba envolvido na questão. Com o passar dos meses, a ajuda financeira chegou a cerca de US$ 170 bilhões.

O governo americano resgatou a gigante dos seguros por considerar que os vínculos da empresa com uma intrincada rede mundial de bancos provocaria um risco iminente de colapso financeiro não apenas nos Estados Unidos, mas a nível global.