EUA detalham plano para retirar até US$ 1 trilhão em ativos podres

Jornal do Brasil

WASHINGTON - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, detalhou nesta segunda-feira o plano para retirar até US$ 1 trilhão em ativos podres com alto risco de calote, na tentativa do governo americano de reativar o fluxo de crédito e tirar a economia do país da recessão. O plano, chamado Programa de Investimentos Público-Privados, vai utilizar dinheiro do contribuinte americano para formar parcerias com investidores privados a fim de comprar títulos lastreados em hipotecas e outros empréstimos. O novo pacote animou as bolsas em todo mundo.

O governo deve comprar ao menos US$ 500 bilhões com a ajuda do regulador bancário Federal Deposit Insurance Corp e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Para o funcionamento desses programas, os investidores têm de estar preparados para assumir algum risco disse Geithner, que tem sido criticado por seu desempenho diante da crise econômica e pelos bônus distribuídos no setor financeiro dos EUA.

O governo vai realizar leilões entre os bancos que querem vender esses ativos e os investidores interessados, na expectativa de criar um mercado para esses papéis. Como passo inicial, os EUA vão empregar entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões, tirados do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso em outubro, para avaliar o andamento do programa. A partir daí, o governo consideraria empregar mais dinheiro.

Os investidores aguardavam um detalhamento do programa desde que Geithner o apresentou em fevereiro. Um dos problemas para colocar o plano em andamento era a incerteza sobre o preço dos papéis, mas a principal dúvida é se a medida vai conseguir de fato incentivar os bancos e os investidores privados a participarem.

O presidente Barack Obama disse que sua equipe econômica está muito confiante no funcionamento do plano. Obama disse que o programa será implementado de forma que os contribuintes tomem parte também no bom desempenho, e não apenas no mau. No formato do programa, cerca de 95% do risco e do financiamento são estatais.

O presidente disse ainda que o mercado imobiliário que está na raiz da atual crise, e para o qual o governo já destinou um pacote de US$ 75 bilhões em ajuda começa a mostrar alguns sinais de melhora.

Pacote anima bolsas

Os mercados mostraram-se encorajados quando grandes investidores disseram que devem participar dos esforços para revitalizar a economia. Os índices S&P 500 e Dow Jones referência da bolsa de Nova York registraram as maiores altas diárias desde outubro do ano passado, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou 5,89% no fechamento, uma alta não vista desde o início de janeiro. O indicador encerrou o dia aos 42.438 pontos, o maior desde 6 de fevereiro. O Dow Jones subiu 6,84%.

Nos EUA, os papéis de bancos responderam pelas maiores altas. As ações do Citigroup subiram 19,5%, para US$ 3,13 e as do Bank of America avançaram 26%, a US$ 7,80. Na Bovespa, um dos líderes de ganhos foi o Itaú, que saltou 9,6%, a R$ 26,75. A Petrobras saltou 6,05%, para R$ 30,86, e a Vale subiu 4,8 %, a R$ 28,40. Com a forte valorização, a Bovespa acumula ganhos de 11,14% no mês. O dólar encerrou o dia em baixa de 0,75%, cotado a R$ 2,246.