Empresários ainda contam com redução de IPI

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - A indústria da construção civil aguarda com ansiedade o pacote de estímulo ao setor, que o governo deve anunciar ainda esta semana. No entanto, a principal aposta dos empresários é quanto a redução de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) na fabricação de materiais para construção. "Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha negado a possibilidade de redução do IPI, ainda esperamos que uma mudança de atitude do governo venha junto com o pacote", disse Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).

Há cerca de 10 dias, o ministro Guido Mantega negou que pacote contemple a redução do imposto. Segundo Mantega, o pacote habitacional vai focar a concessão de subsídios para a compra de imóvel residencial de baixa renda. "Haverá subsídio ao comprador. Estamos concentrando os recursos orçamentários e do FGTS para o comprador", disse Mantega, sem garantir da desoneração de qualquer tributo.

De acordo com Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o pacote deve contribuir para o setor retomar o crescimento e terminar este ano com um Produto Interno Bruto (PIB) 3,5% maior que o registrado em 2008. Melvyn Fox, por sua vez destaca, que essa taxa de crescimento pode representar uma alavanca para a atividade econômica brasileira, do qual ele ainda mantém uma aposta de que vai crescer 2,5% em 2009 - contrariando as estimativas do mercado financeiro, que segundo o Boletim Focus de hoje reduziu para 0,01% a previsão de crescimento de PIB brasileiro.

Fox acredita que a construção de 1 milhão de moradias, que faz parte do pacote, conforme já foi anunciado pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve contribuir com 0,07 ponto percentual do crescimento do PIB brasileiro. "A expectativa é que sejam construídas 500 mil casas por ano. Ou seja, essa medida deve refletir no crescimento da economia brasileira por dois anos, pois além dos negócios envolvidos nestas obras deve haver ainda a geração de cerca de 500 mil empregos ligados a cadeia produtiva", disse.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)