Bolsas mundiais sobem com plano dos EUA

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - A semana começou com uma nova injeção de ânimo com o anúncio do plano de compra de ativos tóxicos dos bancos por parte do Tesouro norte-americano. O programa visa limpar cerca de US$ 1 trilhão destes ativos dos balanços das instituições, utilizando recursos público-privados. Nesta segunda-feira, as principais bolsas de valores acumularam acentuados ganhos, com as ações dos bancos liderando as altas, enquanto o dólar perdeu valor em escala mundial. Aqui, a moeda estrangeira fechou em baixa de 0,88%, vendida a R$ 2,245.

Em Wall Street, Dow Jones registrou alta de 6,84%, para os 7.775,86 pontos, o S&P 500 apresentou valorização de 7,08%, aos 822,92 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 6,76%, para 1.555,77 pontos. Internamente, a bolsa brasileira apresentou forte valorização de 5,89%, aos 42.438 pontos - patamar que não era atingido desde 6 de fevereiro deste ano. O giro financeiro somou R$ 4,77 bilhões.

O tom mais otimista do presidente dos EUA, Barack Obama, em entrevista a um programa de televisão ontem afirmando que já começa a ver luzes de esperança para a economia dos Estados Unidos e que a recuperação poderá ser mais rápida do que em outras crises, também trouxe alívio aos negócios.

Outra notícia positiva foi a divulgação das vendas de imóveis usados nos Estados Unidos, que reverteram as perdas registradas em janeiro e avançaram no mês passado. O índice apresentou elevação de 5,1% em fevereiro de 2009, com ajustes sazonais. O mercado projetava um recuo de 0,9% para o período.

No mercado de juros futuros, a segunda-feira foi de realização de lucro. Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) que vinham sinalizando queda nestes últimos dias apontaram alta na maioria dos vencimentos. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 9,73% ante 9,68% do ajuste de sexta-feira.

Pela manhã os agentes monitoraram o boletim Focus que revisou novamente para baixo as perspectivas de crescimento da economia, da inflação e dos juros. De acordo com o boletim, os profissionais cortaram de 4,52% para 4,42% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao final deste ano. Por outro lado, as estimativas quanto ao Produto Interno Bruto (PIB) continuam desanimadoras. Os analistas reduziram de 0,59% para 0,01% o crescimento da economia brasileira para este ano. Apesar disso, a perspectiva para 2010 foi mantida em 3,5%, pela terceira semana.

Diante da desaceleração da atividade doméstica e de uma inflação comportada, os analistas acreditam que o Copom tem condições para reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 9,25% ao final deste ano. Atualmente, a Selic está fixada em 11,25% ao ano.

No campo de inflação, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a medição terminada em 22 de março de 2009, verificou alta de 0,46% do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), taxa superior à mediana das expectativas e da prévia anterior (0,37%), destaque para a aceleração dos preços dos alimentos (0,73% ante 0,37%), impulsionado pelo aumento de frutas, hortaliças e legumes.

(Redação - InvestNews)