Bolsa sobe quase 5% e supera 42 mil pontos

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - Os principais mercados acionários mundiais reagem, de forma bastante positiva, a divulgação dos detalhes do planos de resgate do setor financeiro. Sendo assim, o índice acionário da BM&FBovespa apresentava forte valorização de 4,88%, aos 42.032 pontos, instantes atrás. O giro financeiro estava em R$ 2,23 bilhões.

O Departamento Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje os detalhes do seu plano (criado em fevereiro) para resolver a questão dos ativos tóxicos bancários. A ideia é estimular os investidores privados a adquirir estes títulos e, para isso, serão criados dois mecanismos um para os empréstimos e outros para os títulos ligados aos ativos imobiliários.

O órgão vai atuar em conjunto com o Federal Deposit Insurance Corporation (FIDC) e Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O plano vai usar entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, sigla em inglês) e de investidores privados, que vai gerar US$ 500 bilhões em compras de ativos podres, "com potencial para expandir para US$ 1 trilhão ao longo do tempo", conforme comunicado do Tesouro.

Durante a apresentação dos detalhes do plano, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou hoje que com o programa de compra de ativos podres de instituições financeiras, o Estado está assumindo riscos. "Em nossa opinião, a melhor maneira de sair disso é trabalhar junto com os mercados", enfatizou o secretario.

"O plano busca limpar cerca de US$ 1 trilhão destes ativos dos balanços das instituições, utilizando recursos público-privados onde o governo irá conceder incentivos aos investidores privados para adquirirem os títulos, que por sua vez poderão lucrar com uma possível melhora nos preços de tais ativos no futuro", afirma Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Para ele, "embora seja prematuro afirmar que este programa terá êxito em resolver todos os problemas do setor financeiro, é fato consumado que consiste em um primeiro e necessário passo para restabelecer a confiança no setor, o que é primordial para a normalização da liquidez e do crédito no sistema", disse.

No Brasil, por outro lado, as previsões para o desempenho da economia neste ano seguem em deterioração cada vez mais pronunciada. Ao falar sobre os cortes no orçamento na semana passada, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo reconheceu que o governo já trabalha com um crescimento da ordem de 2% para este ano. Já entre os analistas, as projeções são bem mais modestas. De acordo com o Boletim Focus divulgado hoje, a mediana das estimativas recuou para apenas 0,01%, ou seja, crescimento nulo neste ano. "Mantemos nossa projeção de 0,7%, embora com viés de baixa", ressalta o economista.

(Vanessa Correia - InvestNews)