Bolsa dispara quase 6% em dia de otimismo global

SÃO PAULO, 23 de março de 2009 - O rali que marcou os negócios neste início de semana não é visto com certa frequência. Uma série de notícias vindas dos Estados Unidos, encabeçada pela divulgação dos detalhes do plano de salvamento do setor financeiro, impulsionaram bolsas de valores mundo afora, inclusive o índice acionário da BM&FBovespa. Ao final dos negócios, a bolsa brasileira apresentou forte valorização de 5,89%, aos 42.438 pontos - patamar que não era atingido desde 06 de fevereiro deste ano. O giro financeiro somou R$ 4,77 bilhões.

O Departamento Tesouro dos Estados Unidos anunciou, pela manhã, os detalhes do seu plano (criado em fevereiro) para resolver a questão dos ativos tóxicos bancários. A ideia é estimular os investidores privados a adquirir estes títulos e, para isso, serão criados dois mecanismos: um para os empréstimos e outros para os títulos ligados aos ativos imobiliários.

O órgão vai atuar em conjunto com o Federal Deposit Insurance Corporation (FIDC) e Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O plano vai usar entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, sigla em inglês) e de investidores privados, que vai gerar US$ 500 bilhões em compras de ativos podres, "com potencial para expandir para US$ 1 trilhão ao longo do tempo", conforme comunicado do Tesouro.

Em linhas gerais, "o plano busca limpar cerca de US$ 1 trilhão destes ativos dos balanços das instituições, utilizando recursos público-privados quando o governo irá conceder incentivos aos investidores privados para adquirirem os títulos que, por sua vez, poderão lucrar com uma possível melhora nos preços de tais ativos no futuro", explicou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

"O otimismo foi ampliado após diversas instituições financeiras terem sinalizado que vão adquirir estes títulos e que enxergam a possibilidade dos mesmos apresentarem forte valorização no longo prazo", ressalta Fábio Amaral Lemos, gestor de renda variável da Gradual Corretora. Com isto, o setor bancário norte-americano avançou forte, puxando junto ações de bancos brasileiros. As ações preferenciais do Bradesco, do Itaú e das units do Unibanco dispararam 7,39%, 9,63% e 12,15%, respectivamente.

O preço das commodities do mercado internacional também reagiu ao movimento. Sendo assim, a valorização das blue chips Vale e Petrobras - com alta de 6% e 4%, respectivamente - também alavancaram o Ibovespa.

E as notícias positivas não pararam por aí. As vendas de imóveis usados nos Estados Unidos reverteram as perdas registradas em janeiro e avançaram no mês passado. O índice apresentou elevação de 5,1% em fevereiro de 2009, com ajustes sazonais. O mercado projetava um recuo de 0,9% para o período.

No front doméstico, as ações preferenciais da Gol lideraram as perdas do Ibovespa (-7,05%), em resposta à divulgação do balanço trimestral, na última sexta-feira. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 687,1 milhões no quarto trimestre de 2008, ante prejuízo de R$ 6,5 milhões em igual período de 2007. O prejuízo no quarto trimestre deve-se, principalmente, ao impacto líquido negativo da desvalorização cambial sobre os passivos em moeda estrangeira.

(Vanessa Correia - InvestNews)