Queda das commodities alivia inflação

SÃO PAULO, 19 de março de 2009 - Se por um lado a incerteza quanto ao preço do petróleo no mercado internacional preocupa o Banco Central (BC), a queda na cotação de commodities agrícolas indica um cenário de melhora do custo da alimentação para os brasileiros. É o que mostra a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu na semana passada reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 11,25%.

Segundo o colegiado, os preços do petróleo continuam voláteis, a despeito de atualmente se encontrarem em patamares próximos àqueles observados na última reunião, em janeiro. "As cotações nos mercados futuros também têm, em linhas gerais, mostrado volatilidade, sem tendência definida. Com isso, a incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da oferta global, em cenário de incerteza quanto à implementação e maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria", mostra a ata.

Assim, embora o colegiado não acredite numa alteração dos preços da gasolina em 2009, essa variação na cotação do petróleo pode se refletir em outras cadeias produtivas provocando uma redução de preços. "Independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo verificada desde o segundo semestre de 2008 pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação".

De acordo com os diretores, vale destacar que os preços de commodities agrícolas que têm impacto particularmente importante para a evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, registraram redução desde a última reunião do Copom, reagindo às perspectivas de redução da demanda e à acumulação de estoques.

Assim, o comitê reduziu de 4,8% para 4,57% sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao final deste ano. Para 2010, as expectativas de inflação mantiveram-se em 4,50%, mesmo patamar observado na reunião de janeiro.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)