Juros podem continuar caindo, indica ata

SÃO PAULO, 19 de março de 2009 - O Banco Central (BC) vai se manter cauteloso diante dos dados de arrefecimento da economia doméstica, devido à crise mundial, segundo a ata da reunião (10 e 11 de março) divulgada nesta manhã. No entanto, enquanto essa desaceleração da atividade interna contribuir para um alívio nas pressões inflacionárias, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode dar continuidade a flexibilização da política monetária.

Na semana passada, o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir de 12,75% para 11,75% a taxa básica de juros (Selic). Além de ser o segundo corte consecutivo, a taxa caiu ao menor patamar desde quando o BC implantou a Selic - em 1999.

"Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias", destacam os diretores em documento.

De acordo com o documento, o comitê avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação está diminuindo. "Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas, identificadas até o final de 2008, sobre preços no atacado que vêm mostrando deflação nos últimos meses para os preços ao consumidor", afirmam, destacando que o objetivo do BC é trabalhar para que a inflação convirja para o centro da meta fixada em 4,5% pelo governo central.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)