Dólar acompanha reversão de Wall Street e sobe

SÃO PAULO, 19 de março de 2009 - A combinação de medidas do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), como a compra de ativos lastreados em hipotecas e a aquisição de títulos públicos do Tesouro, estimularam o apetite por risco nesta manhã, fazendo o dólar renovar a menor cotação desde janeiro. Porém, a reversão das bolsas em Wall Street, alguns movimentos de saídas pontuais e o ajuste de posições pressionaram a taxa próximo ao fim da manhã. Há pouco, a moeda norte-americana subia 0,18%, para R$ 2,255 na venda. Segundo analistas, há suporte no preço de R$ 2,23. "Quando bate neste preço entra muita compra", comentou um dos profissionais.

Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK corretora destaca que após a reação inicial de euforia, os investidores passaram a pesar o fato de que com o mecanismo do programa o Fed aumenta a oferta monetária e a dívida do país, o que amplia a procura por aplicações mais seguras. Isto porque, embora no curto prazo a opção pela emissão de moedas não traga riscos para a inflação, os riscos estão no médio prazo. "Assim que a atividade der os primeiros sinais mais consistentes de recuperação, a reversão da política monetária terá que ser rápida o suficiente para evitar o aumento do risco inflacionário, sem entretanto comprometer a retomada da atividade", alerta Miriam.

No Brasil, as atenções também se voltam para a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada. O relatório mostrou a continuidade do processo de afrouxamento monetário mais agressivo no curto prazo, em meio ao cenário de alívio inflacionário e de desaceleração do ritmo de atividade econômica.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)