Usiminas prevê um 2009 muito ruim

SÃO PAULO, 18 de março de 2009 - O ano de 2009 deverá ser muito ruim para o setor de siderurgia, avaliou hoje o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, durante lançamento da nova logomarga da companhia, em São Paulo. "Nossa produção está sendo reduzida porque a demanda caiu muito. Normalmente, havia como compensar essas perdas. Se a demanda externa caía, redirecionávamos a produção para o mercado doméstico. Agora, entretanto, a demanda caiu drasticamente em ambos os mercados. Há um processo de super oferta", disse. "Estimamos produzir este ano cerca de 10% a 15% menos do que foi produzido em 2008, quando alcançamos 8 mil toneladas de aço."

Castello Branco reiterou que, em 2009, a Usiminas vem operando com utilização de 50% da capacidade instalada. "Esperamos um aumento de cerca de 20% no próximo trimestre", disse. Mas ponderou que as exportações estão respondendo abaixo do esperado.

O presidente da companhia disse que o foco continuará sendo o mercado interno, onde ele aposta que haverá aumento na demanda ainda este ano. "Esperamos que os projetos habitacionais do governo sejam realmente levados para frente. O aquecimento interno no mercado de construção civil nos permitirá crescer em um setor que ainda não temos participação elevada."

Neste ponto, Castello Branco ressaltou que as importações são um fator de alto risco para o setor. "O consumo interno aparente de aço recuou cerca de 4,% nos últimos meses. Já as importações avançaram. Se o consumo cai e as importações crescem, nós temos que produzir menos", afirmou, ressaltando que este processo tem grande impacto negativo para a indústria brasileira. "Acho ótimo o Brasil estar inserido na economia mundial. E sou a favor do livre comércio. Mas o Brasil não pode ser ingênuo," completou.

Castelo Branco considerou que a concorrência dos produtos chineses é desleal. "O câmbio da China é controlado pelo Estado, isso gera uma concorrência artificial. A China trabalha com condições anticompetitivas, que não deveriam ser aceitas em transações internacionais", afirmou ele. E destacou: "Sou a favor do livre comércio, mas o Brasil precisa se proteger".

Para ele, cabe ao governo criar tributos para essas importações de forma a corrigir esses "desvios artificiais de competitividade". "Vale a pena o governo rever esses impostos, principalmente diante da conjuntura atual", concluiu.

Outra medida que poderá ser positivas para o setor, segundo o executivo, é o esperado pacote chinês de ajuda financeira. "O pacote vai incentivar o consumo interno (da China) detendo no mercado doméstico a produção chinesa. Isso poderá aumentar nossas vendas aqui no Brasil."

Castello Branco também apontou o lado positivo da crise. "Nós eramos o lanterninha de uma corrida. Agora, a corrida parou e temos tempo para nos reposicionar."

Ele também comentou os cortes na taxa básica de juros, hoje em 11,25% ao ano. "A crise está até nos ajudando. Caso não tivesse (crise), não estariam cortando a Selic. Prudência não pode ser confundida com inação. As vezes, o Banco Central parece ser inativo."

(Carina Urbanin - InvestNews)