Presidente da AIG diz que foi obrigado a pagar os bônus e admite erros

Agência AFP

WASHINGTON - O presidente executivo da seguradora americana AIG, Edward Liddy, afirmou ao Congresso nesta quarta-feira que não tinha outra opção legal a não ser pagar milhões de dólares em "bônus desagradáveis", segundo suas palavras, mas afirmou que está aprendendo com seus erros.

- Foram cometidos erros na AIG numa escala que poucos podiam ter imaginado que seria possível- afirmou, em uma declaração preparada em uma audiência ante a Câmara de Representantes.

O presidente executivo designado pelo governo afirmou que sua nova equipe de diração está trabalhando duro para reestructurar a AIG a fim de reembolsar aos contribuintes americanos os 180 bilhões de dólares emprestados.

- Para poder fazer isso, devemos continuar cuidando de nosso negócio como um negócio- afirmou.

- Como consequência disso, e como consequência de algumas obrigações legais, a AIG realizou recentemente uma série de pagamentos compensatórios, alguns dos quais considero desagradáveis- acrescentou.

Em um artigo publicado no jornal Washington Post nesta quarta, Liddy admitiu erros cometidos pela empresa salva da falência pelo governo,

A revolta com o resgate da AIG por parte do governo, assim como o crescente aumento de pedidos de responsabilidade "é compreensível, e eu compartilho", escreveu Liddy.

- Estou consciente da ofensa do povo americano e do pedido do presidente por um sistema de compensações mais moderado. Também sou consciente de que cada decisão que tomamos na AIG tem consequências para o contribuinte americano- acrescentou.

O governo demandou a American International Group (AIG) o reembolso de 165 milhões de dólares pagos em bônus aos executivos depois que a empresa recebeu uma ajuda financeira urgente superior a US$ 170 bilhões.

Os bônus foram pagos na unidade de produtos financeiros, a divisão da AIG responsável pelo quase colapso da companhia.

- Não tenham dúvidas: se eu fosse o diretor executivo na época, eu nunca teria aprovado estes contratos de retenções que foram praticados há um ano. Foi desagradável ter que fazer estes pagamentos- escreveu Liddy.

- Mas concluímos que o risco para a companhia, e por fim ao sistema financeiro e à economia, seria inaceitavelmente alto para deixar este executivos sair e fechar esta divisão da AIG- destacou.

- Os contribuintes também deveriam saber que a AIG tem um plano para devolver o dinheiro ao governo, e estamos fazendo progressos- concluiu Liddy no artigo, publicado no dia em que depõe no Congresso americano.