País tem elementos para atenuar efeitos da crise, diz estudo

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Um estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirma que o Brasil dispõe de elementos para reduzir os efeitos da crise internacional sobre o mercado de trabalho.

Segundo o economista Antonio Marcos Hoelz Ambrozio, da Área de Pesquisas Econômicas do BNDES, autor do estudo, a adoção do câmbio flutuante e a estruturação tecnológica das empresas funcionam como atenuantes do impacto da crise sobre o emprego.

- Algum efeito adverso vai ocorrer, mas existem elementos estruturais no mercado de trabalho que podem funcionar como atenuantes ao impacto da crise - disse.

Isso não ocorreu nos anos 90, com as crises da Rússia e da Ásia, quando houve também aumento significativo na taxa de desemprego no Brasil, lembrou o economista. As condições da economia brasileira naquele período eram diferentes das de hoje. O câmbio era fixo e as empresas ainda se achavam em processo de ajuste à abertura econômica iniciada na década.

- Atualmente, o fato de já estar esgotado o processo de estruturação ao movimento de abertura econômica e a existência de um sistema de câmbio flexível podem dar proteção ao mercado de trabalho no caso de uma desaceleração do crescimento da economia mundial - destacou.

O estudo salienta que, mesmo com a queda do crescimento econômico por causa das transformações estruturais no País, o impacto da crise será negativo, mas bem menor do que seria se as mudanças não tivessem ocorrido.

No período de 2003 a 2008, a taxa de desemprego no Brasil recuou 4,4 pontos percentuais, caindo de 12,3% para 7,9%. Nos próximos meses, por conta da crise externa, entretanto, é possível que as condições do mercado de trabalho continuem piorando, com elevação na taxa de desemprego, diz o autor do estudo.

Segundo Ambrozio, o vetor principal do que vai acontecer na economia brasileira vai ser o desdobramento da crise internacional. Os sinais são de retomada do crescimento econômico a partir de 2010. E o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no País, deve ser acompanhado de um alívio do mercado de trabalho. São variáveis que andam juntas, completou o economista.