Investidor se prepara para ler ata do Copom

SÃO PAULO, 18 de março de 2009 - O mercado conhece amanhã os motivos que levaram o Comitê de Política Monetária (Copom) a cortar a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, na última quarta-feira. O colegiado do Banco Central (BC) ratificou as apostas de boa parte dos analistas. Após a decisão, o segmento de renda fixa vem ajustando as projeções de juros para baixo. A percepção dos investidores é de que até o final do ano a Selic estará em um dígito. Atualmente, a taxa Selic está em 11,25% ao ano.

Para economistas, a ata do Copom deverá enfatizar a brusca alteração no balanço de risco, com a economia voltando a operar abaixo do seu potencial, o que deverá favorecer a convergência das expectativas para o centro da meta de inflação. O cenário prospectivo deve se manter favorável à inflação, deixando o espaço aberto para novos cortes de juros.

Hoje, as projeções de juros embutidos nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na BM&FBovespa ampliaram mais um pouco a queda, no entanto, a cautela prevaleceu por parte dos investidores, à espera da ata do Copom. O DI com vencimento em janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 9,83%, ante 9,96% do ajuste anterior. A economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, comenta que os dados sobre o mercado de trabalho divulgados nesta manhã contribuíram para o ajuste na curva de juros futuros diante das expectativas de novas reduções na taxa Selic nos próximos meses.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam que no mês passado, foram geradas 9,179 mil vagas de trabalho. Apesar de tradicionalmente este período apresentar uma melhora, esse é o pior resultado para o mês de fevereiro desde 1999 (perda de 78.030 postos). O número ficou abaixo do mencionado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que apontou criação de cerca de 20 mil postos.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)