China impede que Coca-Cola adquira a Huiyuan

SÃO PAULO, 18 de março de 2009 - O Ministério do Comércio da China determinou hoje que a Coca-Cola não poderá adquirir a firma nacional Huiyuan, a maior do setor no país, por ter observado tendências monopolistas na negociação.

Segundo o Ministério, a transação, que poderia ter sido uma das maiores aquisições de firmas chinesas na história, "poderia gerar efeitos negativos na concorrência".

Ainda nesta quarta-feira, o jornal britânico Financial Times adiantou que a Coca-Cola poderia abandonar a aquisição da Huiyuan, conhecida também como a maior fabricante de sucos da China. Citando uma fonte próxima ao assunto, o diário afirmou que a desistência poderia ocorrer pelo fato de o governo chinês não permitir que a companhia norte-americana fizesse uso das marca da Huiyuan.

No entanto, a China aplicou o artigo 28 da Lei Antimonopólio, que entrou em vigor em 1º de agosto do ano passado, para frear a aquisição e analisar sua conveniência ou não nos meses seguintes.

O acordo era visto por analistas como o primeiro grande teste da lei anti-monopólio, que protege grandes compras em setores que a China considera estratégicos para o país, como defesa, petróleo e siderurgia.

Depois da divulgação sobre as dificuldades para a concretização do acordo de US$ 2,4 bilhões, as ações da Huiyuan listadas em Hong Kong tiveram queda de quase 19,41% e suas negociações foram suspensas.

A Huiyuan controla 40% do mercado de sucos de fruta na China. As vendas da Coca-Cola em volume aumentaram 19% no gigante asiático em 2008, ao mesmo tempo em que declinaram 1% na América do Norte.

Na China, a Coca-Cola detinha um market share de 15% em 2007, em comparação aos 6% da sua maior rival Pespi, segundo dados do Euromonitor. A Coca-Cola controla 54% do mercado de refrigerantes na China, enquanto a Pepsi detém 31% de participação.

A gigante norte-americana ainda possui 10% do mercado de sucos da China, ao mesmo tempo em que a participação da Pepsi é tão pequena que não pode ser contabilizada, de acordo com o estudo do Euromonitor.

(Redação - InvestNews)