Ata do Fomc anima negócios

SÃO PAULO, 18 de março de 2009 - A volatilidade comandou os negócios nesta quarta-feira, em meio ao clima de expectativa pela conclusão da reunião do Comitê Federal para o Mercado Aberto (Fomc). Conforme esperado, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros fixada entre uma banda de 0% e 0,25% e anunciou novas medidas para injetar liquidez no mercado de crédito e estimular a economia. Neste sentido, o Banco Central norte-americano afirmou que irá comprar até US$ 300 bilhões em títulos da dívida de longo prazo do Tesouro nos próximos seis meses, além de retirar US$ 750 bilhões em ativos tóxicos dos bancos.

Ainda lá fora, o dado mais relevante pela manhã partiu do governo norte-americano que registrou inflação acima do esperado em fevereiro. O aumento de 0,4% no Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) em fevereiro se comparado janeiro, quando houve alta de 0,3%. Também contribuem para o mexer com o ânimo dos investidores, a informação de elevação dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. São 2 milhões barris a mais em relação à semana passada.

O fato é que o anúncio do Fed elevou os índices acionários de Wall Street. O Dow Jones subiu 1,23%, para os 7.486,58 pontos, o S&P 500 valorizou-se 2,09%, aos 794,35 pontos, marcando a sexta alta em sete dias, e a Nasdaq teve ganho de 1,99%, aos 1.491,22 pontos.

Por aqui, apesar da volatilidade registrada na primeira etapa dos negócios, foi o movimento comprador que prevaleceu entre os investidores após a divulgação da ata do Fomc. Sendo assim, ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em alta de 1,6%, aos 40.142 pontos - patamar que não atingia desde 16 de fevereiro deste ano. O giro financeiro somou R$ 4,58 bilhões.

O balanço da BM&FBovespa também foi o destaque do dia. A companhia registrou lucro líquido pro forma de R$ 202,4 milhões (R$ 0,10 por ação) no quarto trimestre de 2008, o que representa uma queda de 8,8% em relação ao mesmo período de R$ 222 milhões. No ano, entretanto, o lucro líquido subiu 20,3% em relação a 2007 passando de R$ 755,9 milhões para R$ 909,6 milhões.

O dólar também acompanhou o bom humor externo e chegou a ultrapassar a barreira psicológica de R$ 2,30 e fechou em queda de 1,36%, vendido a R$ 2,251.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam que no mês passado foram geradas 9,179 mil vagas de trabalho. Apesar de tradicionalmente este período apresentar uma melhora, esse é o pior resultado para o mês de fevereiro desde 1999 (perda de 78.030 postos). O número ficou abaixo do mencionado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que apontou criação de cerca de 20 mil postos.

Hoje, as projeções de juros embutidos nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na BM&FBovespa ampliaram mais um pouco a queda, no entanto, a cautela prevaleceu por parte dos investidores, à espera da ata do Copom. O DI com vencimento em janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 9,83%, ante 9,96% do ajuste anterior.

(Redação - InvestNews)