Mantega: crise está piorando, mas Brasil tem "bala na agulha"

Portal Terra

NOVA YORK - Depois de encontro com os líderes financeiros do G20 no final de semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira em Nova York que a impressão geral entre os países ricos e principais emergentes é de que a crise está piorando. No entanto, Mantega ressaltou que Brasil ainda tem espaço para adotar medidas com objetivo de sofrer os efeitos com menos intensidade.

- Cheguei do G20 e panorama geral é de que a crise está piorando. O crédito é escasso no mundo, falta confiança e a fuga de capitais nos países emergentes é alta- disse o ministro, em seminário promovido pelo Wall Street Journal.

De acordo com Mantega, em outras crises o País era obrigado a aumentar a taxa de juro para evitar a fuga de capitais, o que aumentava o desemprego e provocava a queda do Produto Interno Bruto (PIB).

- Hoje tomamos medidas anticíclicas. Estamos baixando a taxa de juro, aumentando investimento em infra-estrutura e ainda temos bala agulha- completou.

- Não esgotamos a política monetária que podemos fazer. Ainda temos as reservas dos depósitos compulsórios, nossas taxas de juros ainda são altas e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está à disposição dos empresários- explicou o ministro.

Para Mantega, as medidas que o governo tomou já mostram uma retomada no consumo.

- Eu acredito que seremos um dos primeiros a sair dessa crise. A curva de consumo geral já está em franca recuperação- apontou.

O ministro também citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que injeta dinheiro do governo em infra-estrutura - medida que os outros países só começam a adotar agora.

- O País vem ganhando 'músculo' há três anos- afirmou.

Os bancos brasileiros não apresentam dificuldades como grandes instituições dos Estados Unidos e da Europa, avaliou Mantega, que defendeu a atuação dos bancos federais e estaduais.

- Os bancos públicos podem ser tão ou mais eficientes que os bancos privados, mas há países que têm medo, talvez por falta de conhecimento- disse.