Mantega: Brasil vê meios alternativos para capitalizar FMI

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NOVA YORK - Encontrar meios alternativos para dar um novo impulso financeiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) deve ser prioridade enquanto é discutida a questão de equilibrar os poderes no organismo, disse o ministro da Fazenda brasileiro.

Guido Mantega relatou a jornalistas no domingo que o fornecimento de mais recursos ao FMI para ajudar no combate à crise financeira não deve ser protelado pelas diferenças entre países ricos e pobres em relação ao tamanho de suas cotas no fundo.

- É crucial para os mercados emergentes receber financiamento, já que os mercados de capitais não estão fornecendo isso. O FMI tem suas limitações, mas é a instituição que temos à mão nesse momento- disse Mantega em Nova York, de onde participa de uma conferência sobre o Brasil nesta segunda-feira.

Após reunião de ministros das Finanças do G20 na Grã-Bretanha, realizada na sexta-feira e no sábado, o Brasil informou que o próprio país e economias emergentes de grande peso, como Rússia, Índia e China, só vão concordar em recapitalizar o FMI se eles conseguirem aumentar seu poder de voto na organização.

Mantega reafirmou essa posição no domingo, mas acrescentou que vê outras maneiras de aumentar o poder do fundo, antes de se chegar a um acordo sobre as cotas.

Ele mencionou o possível uso das linhas NAB (na sigla em inglês), ou novos convênios de empréstimos, um acordo segundo o qual os 25 países do FMI estão sempre prontos para emprestar recursos ao fundo.

As linhas NAB podem ser utilizadas desde que os concessores de empréstimo tenham uma referência sobre a utilização desses recursos, afirmou Mantega.

O FMI divulgou que precisa de mais 250 bilhões de dólares para dobrar sua capacidade de empréstimo para ajudar países emergentes.

Mantega disse também que a nacionalização de bancos debilitados é o meio mais rápido e eficiente de se estabilizar o sistema financeiro global e assegurar a volta do fluxo de crédito.