Segue ajuste para Selic mais baixa

SÃO PAULO, 10 de março de 2009 - O mercado financeiro deve continuar ajustando nesta terça-feira suas projeções para o rumo da taxa Selic, fixada em 12,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia esta tarde a primeira parte da reunião que irá definir o novo patamar dos juros. Para a maioria dos analistas, a autoridade monetária deve optar pelo conservadorismo e baixar os juros em 1 ponto percentual. Entretanto, nestes últimos dias cresceu as apostas de redução de 1,5 ponto. Há quem diga que a decisão do colegiado do Banco Central (BC) deve ser mais ousada, com corte de 2 ponto percentuais.

Para a equipe econômica do banco Fibra, o acirramento da crise financeira internacional e as perspectivas de um aprofundamento dos seus impactos sobre a economia real, tanto mundial quanto brasileira, justificam uma aceleração no ritmo de cortes da taxa Selic, na mesma linha do que foi feito na maioria dos outros países. A equipe espera que o Copom decida amanhã por uma redução de 1,5 ponto nos juros.

Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sinalizam discretas oscilações nas taxas que já precificam uma nova redução da Selic. O DI de abril, que concentra as apostas para a reunião Copom, apontava taxa anual de 11,49%, ante 11,56% do fechamento anterior, após 140,3 mil operações (R$ 13,9 bilhões).

Hoje os agentes financeiros monitoraram o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) que registrou retração de 3,6% entre outubro e dezembro do ano passado - o maior desde o início da série histórica em 1996. Em 2008, a economia cresceu 5,1%, em linha com as estimativas dos analistas. Foi divulgado também que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) recuou para 0,24% na primeira quadrissemana de março. O resultado veio abaixo da mediana das expectativas (0,27%), destaque para a desaceleração do grupos alimentação e habitação.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)