Pessimismo dá trégua e dólar cai ao patamar de R$ 2,36

SÃO PAULO, 10 de março de 2009 - Os investidores dão uma pausa dentro do ciclo de pessimismo e os ativos de risco se recuperam nesta manhã. Segundo analistas, os comentários do CEO do Citigroup estão ajudando a fomentar o bom humor dos mercados. Vikram Pandit afirmou em memorando interno que o banco começou o trimestre na sua melhor forma em mais de um ano e com isso, as ações da instituição disparam 18% no pré-market de Wall Street, disseminando otimismo em todo setor financeiro. Instantes atrás, o dólar cedia 0,71%, vendido a R$ 2,363.

Porém, as incertezas sobre o tamanho da recessão devem manter os mercados mundiais avessos ao risco no curto prazo. Hoje, as atenções recaem sobre a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, sobre reforma financeira para lidar com o risco sistêmico em um evento no Conselho de Relações Internacionais de Washington. Como a probabilidade de novidades com relação às ações governamentais, principalmente no que se refere a soluções mais consistentes para o saneamento do sistema financeiro internacional, é bastante pequena e os efeitos dos pacotes já anunciados só devem ser mais visíveis no médio prazo, o cenário deve continuar sendo de queda na confiança dos investidores.

Segundo Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora, os ativos domésticos devem continuar sofrendo, acompanhando as direções das praças internacionais, mas com algum descolamento por conta dos bons fundamentos internos. Por aqui, todas as atenções se voltam para resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã. O resultado frustrante da produção industrial no País em janeiro e os números do Produto Interno Bruto (PIB) encorajaram os agentes a apostarem em um afrouxamento mais agressivo na política monetária.

"As evidências de que o risco de uma atividade econômica mais fraca são maiores do que os riscos de pressão inflacionária torna mais provável que Copom adote uma estratégia de concentrar no curto prazo a redução da taxa básica", avalia Miriam. Agora cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB registrou retração de 3,6% entre outubro e dezembro do ano passado - o maior desde o início da série histórica em 1996. Em 2008, a economia cresceu 5,1%, em linha com as estimativas.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)