Pesquisa: PIB e indústria levarão a corte 1,5 ponto da Selic

REUTERS

TERRA - Economistas ampliaram a previsão de corte do juro básico brasileiro (Selic) para 1,5 ponto percentual na decisão desta semana, após a fraqueza maior que a prevista da economia brasileira entre o fim de 2008 e o início deste ano, segundo pesquisa da Reuters. A taxa está atualmente a 12,75% ao ano, após redução de 1 ponto na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

De 20 instituições financeiras consultadas nesta terça-feira, 14 disseram ter revisto o prognóstico para o corte de quarta-feira na Selic de 1 ponto percentual para 1,5 ponto. Se confirmado, será o corte mais agressivo desde o final de 2003.

A revisão ocorreu depois da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008, nesta manhã, e da produção industrial de janeiro, na sexta-feira.

Entre as seis instituições que não revisaram, quatro mantiveram a previsão de corte de 1 ponto e duas já estimavam desde o começo do mês uma redução de 1,5 ponto.

- Só temos notícias ruins aqui dentro de crescimento. O crescimento deste ano deve ficar bem baixo, em torno de 0,6%, embora alguns já falem em PIB negativo para o ano - disse Guilherme da Nóbrega, economista-chefe da Itaú Corretora.

- A indústria está na lona, o mercado de trabalho continua piorando, mais do que imaginávamos, e a perspectiva para o crédito não é boa; os bancos estão falando de cautela e de aumentar as provisões com inadimplência. Lá fora, a perspectiva ainda é ruim. O corte de juro será de 1,5 ponto - completou.

O IBGE informou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 3,6% no quarto trimestre de 2008 sobre o terceiro e cresceu 1,3% ante igual período do ano anterior. Analistas esperavam, respectivamente, queda de 2,3% e alta de 1,8%.

Na sexta-feira, dados do IBGE mostraram que a produção industrial do País teve expansão de 2,3% em janeiro sobre dezembro mas registrou queda recorde de 17,2% sobre igual mês de 2008. A previsão do mercado era de, respectivamente, avanço de 8,3% e recuo de 11,3%.

Após esses números, ganhou força a revisão para baixo das projeções de desempenho econômico neste ano. Devido às incertezas geradas pela crise global, essas previsões variam de contração de 1% a crescimento pouco acima de 1%.

- Aumentou bastante a chance de a gente ver um corte mais agressivo da Selic - avaliou Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento.

O Copom anuncia sua decisão na quarta-feira, após o fechamento dos mercados. Uma pesquisa da Reuters na semana passada apontava que 25 de 30 analistas esperavam corte de 1 ponto; três apostavam em 0,75 ponto percentual; uma previa 1,25 ponto e outra estimavam 1,5 ponto.