Citi traz euforia aos mercados e dólar cai mais de 1%

SÃO PAULO, 10 de março de 2009 - Os mercados operaram com bom humor nesta terça-feira, influenciado pelo vilão dos últimos pregões, o setor financeiro. Os players passaram a depositar um voto de confiança na recuperação dos bancos depois que o CEO do Citigroup, Vikram Pandit, afirmou que a instituição está operando no azul neste começo de ano. Segundo carta enviada aos funcionários, o banco conseguiu se manter rentável nos dois primeiros meses deste ano e a receita antes de despesas totalizou US$ 19 bilhões. Com isso, as ações do Citi dispararam mais de 30%, disseminando otimismo aos negócios. O dólar encerrou o dia em queda de 1,34%, vendido a R$ 2,348, derrubado pela valorização das bolsas.

Para Roberto Moraes, gerente da mesa da Advanced Corretora, além do otimismo com os bancos, a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, BC norte-americano), Ben Bernanke, defendendo uma reformulação arquitetônica do sistema financeiro, trouxe mais ânimo aos mercados. Segundo o gerente, a baixa do dólar também é reflexo do desmonte de posições compradas de investidores estrangeiros na BM&F, que reduziram suas posições de US$ 12,7 bilhões para algo em torno de US$ 11 bilhões.

O momento de euforia com os bancos dividiu espaço com o discurso de Bernanke, afirmando que o governo não deixará grandes bancos do país caírem devido à frágil situação dos mercados financeiros e da economia global. O chairman defendeu ainda a estabilização do sistema financeiro para se conseguir uma recuperação sustentável da economia.

Por outro lado, projeções nada animadoras do diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de que a economia mundial pode apresentar contração este ano pela primeira vez depois de décadas pesou sobre os negócios. Em janeiro, o FMI havia estimado um crescimento de 0,5% para a economia global em 2009.

O fato é que as economias centrais permanecem mergulhadas em recessão profunda, de modo que os efeitos da crise sobre o ambiente doméstico se mostram a cada dia. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) se contraiu 3,4% no quarto trimestre, mais do que o projetado, reforçando a desaceleração abrupta da economia brasileira. O dado alimenta as apostas mais agressivas de corte de 1,5 ponto percentual na taxa Selic amanhã.

Segundo Moraes, a quarta-feira deve ser marcada pela cautela, com os investidores em compasso de espera pela decisão do Copom, enquanto avaliam os números de inflação oficial medida pelo IPCA em fevereiro e a primeira prévia do IGP-M. Nos EUA, destaque para as solicitações de empréstimos hipotecários e orçamento mensal de fevereiro, além dos dados sobre estoques de petróleo.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)