Bolsa dispara 5,59% em meio a notícias externas

SÃO PAULO, 10 de março de 2009 - O setor bancário externo, sempre olhado como vilão, ajudou a disseminar otimismo entre os investidores nesta terça-feira. A perspectiva de que o Citigroup deverá reportar lucro líquido no primeiro trimestre deste ano foi o principal responsável pela disparada das principais bolsas de valores mundiais, inclusive o índice acionário da BM&FBovespa, que fechou o dia em forte alta de 5,59%, aos 38.794 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,52 bilhões.

O gigante financeiro norte-americano deve voltar a registrar lucro líquido no primeiro trimestre de 2009, segundo comunicado interno emitido pelo presidente da instituição, Vikram Pandit. "O Citi obteve lucro nos dois primeiros meses de 2009 e estamos tendo nosso melhor desempenho no período desde o terceiro trimestre de 2007", afirmou Pandit. No entanto, o presidente do Citi advertiu que ainda falta um mês para terminar o trimestre e que a volatilidade do mercado pode alterar os resultados.

Aliada a essa perspectiva, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, afirmou que as atuais medidas para o combate à turbulência financeira mundial devem ser acompanhadas de novas políticas para limitar a incidência e o impacto do risco sistemático em relação a crises futuras. Bernanke também afirmou que, caso a situação do setor financeiro se estabilize, a recessão deve terminar no final deste ano.

"Basicamente o ambiente externo - com notícias envolvendo o Citigroup e o discurso de Bernanke -, foi o responsável pela disparada das principais bolsas de valores mundiais. A perspectiva acabou contagiando todos os demais setores econômicos", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Os papéis do setor bancário brasileiro registraram valorização superior a 6%. Já as ações da Petrobras e Vale do Rio Doce, por exemplo, avançaram 5% e 7%, respectivamente.

O economista ainda adicionou a este cenário positivo, a expectativa de corte na taxa básica de juros, Selic, que deve ser anunciada amanhã pelo Comitê de Política Monetária (Copom). "O fraco desempenho do setor industrial, aliado a divulgação da queda do PIB brasileiro no quarto trimestre deste ano, corroboram com a expectativa de corte agressivo nos juros", diz Neto. A expectativa do Banco Schahin é de corte de 1,5 ponto percentual (p.p) na Selic.

Por aqui, os papéis da ALL avançaram mais de 13% - liderando os ganhos no pregão - em resposta ao contrato fechado com a Rumo Logística, subsidiária da Cosan, para transporte de açúcar e derivados. A Rumo irá investir R$ 1,17 bilhões na operação, sendo R$ 535 milhões na ampliação e melhoria da via permanente e em pátios do corredor Bauru-Santos/, R$ 435 milhões na aquisição de 79 locomotivas e 1,1 mil vagões, com capacidade de 30 ton/eixo e R$ 206 milhões na construção e ampliação do terminal do Porto de Santos.

Na ponta oposta, apenas três companhias listadas no Ibovespa apresentaram desvalorização: Gol PN (-1,62%), VCP PN (-1,39%) e Tam PN (-0,13%).

(Vanessa Correia - InvestNews)