América Latina sentirá impacto da crise por anos, diz BID

SÃO PAULO, 10 de março de 2009 - O economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Eduardo Lora, afirmou nesta segunda-feira que os efeitos da pior crise mundial em décadas serão sentidos pelo menos nos próximos quatro anos na América Latina. Entretanto, ele disse que a região resistirá à tempestade em 2009 e não cairá em recessão.

Lora traçou um panorama misto da região, indicando que o principal desafio dos governos será o de adotar políticas monetárias e fiscais necessárias para superar a crise sem endividamento excessivo.

"Todos os países têm diferentes medidas contra a crise (...) e o que se pergunta é se todos os países têm a capacidade fiscal e as reservas para fazer tudo o que estão propondo", disse Lora.

"O problema imediato é que os países têm um acesso limitado aos recursos de financiamento, e ao gastar mais, os credores interpretam como um sinal de que não será fácil pagar essas dívidas no futuro, então as decisões que se tomam agora são críticas", acrescentou. Embora o BID não faça projeções próprias, Lora disse que "ninguém fala de crescimento superior a um 1% (este ano)".

Lora afirmou que a América Latina não verá uma recuperação em breve. "A crise não vai ser uma coisa de um ou dois anos, para alguns países da América Latina pode durar muito mais", disse. O economista citou uma pesquisa realizada pelo BID entre líderes de opinião que prevê estagnação ou queda na renda per capita dos países da região nos próximos quatro anos.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)