Tóquio atinge pior nível em 26 anos; Hong Kong cai 4,8%

SÃO PAULO, 9 de março de 2009 - As bolsas da Ásia fecharam em queda nesta segunda-feira, com o índice Nikkei 225 de Tóquio registrando seu menor nível em 26 anos e o referencial Hang Seng, de Hong Kong, despencando quase 5%. A preocupação dos investidores com a saúde do sistema financeiro internacional colaborou com a venda de ações do setor bancário, que liderou as perdas nos pregões da região.

O nervosismo teve início após o Banco Mundial (Bird) revelar no fim de semana que a economia mundial sofrerá a primeira retração desde a Segunda Guerra Mundial. O organismo ainda advertiu que as instituições internacionais não poderão financiar a falta de crédito, e ressaltou que os países em desenvolvimento enfrentarão neste ano um déficit de financiamento de US$ 270 bilhões a US$ 700 bilhões.

Para piorar, Reino Unido e Bélgica socorreram no sábado duas instituições financeiras em mais uma tentativa de minimizar o impacto da crise global. O governo britânico elevou sua participação no Lloyds Banking Group, garantindo bilhões de dólares em ativos podres (com alto risco de calote), enquanto o Estado belga conseguiu chegar a um acordo para a venda do Fortis ao grupo francês BNP Paribas.

Os temores no setor financeiro ainda aumentaram depois que um relatório do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) mostrou uma perda de quase US$ 9,6 trilhões registrada por instituições bancárias da Ásia em 2008. Desta forma, o continente monopoliza em torno de um quinto do prejuízo de US$ 50 trilhões contabilizado no mundo todo.

O índice MSCI, que reúne as principais bolsas da região Asia-Pacífico com exceção do Japão, caía 0,73% às 7h40 (horário de Brasília). Entre os principais mercados, o Nikkei 225 de Tóquio perdeu 1,21%, para 7.086,03 pontos, atingindo o pior patamar desde 1982.

Os investidores nipônicos também repercutiram a notícia de que o Japão registrou em janeiro seu primeiro déficit por conta corrente nos últimos 13 anos. Nem mesmo a valorização do dólar frente ao iene foi suficiente para evitar as baixas nos papéis de companhias exportadoras. Empresas como Honda, Toyota e Canon, por exemplo, terminaram o dia com recuo de 2,09%, 0,34% e 1,37%, respectivamente.

O avanço de 3,8% em fevereiro, em termos anuais, na média dos créditos diários concedidos pelos bancos japoneses também não animou os investidores. Apesar da alta, a cifra é menor do que os 4% vistos em janeiro. Os títulos do Mitsubishi UFJ Financial diminuíram 5,46%, enquanto os do Mizuho Financial sofreram baixa de 2,84%.

Em Hong Kong, o indicador referencial Hang Seng desabou 4,84%, para 11.344,58 pontos, com as ações do HSBC Holdings despencando 24,13% (maior baixa diária em 23 anos), principalmente devido ao temor de que o maior banco da Europa sofrerá novas perdas relacionadas à empréstimos ruins feitos nos Estados Unidos.

Na China, o índice Xangai Composto recuou 3,39%, para 2.118,75 pontos. Cingapura, Filipinas, Nova Zelândia, Malásia, Tailândia e Taiwan também terminaram o dia no vermelho. Na contramão, apenas Austrália e Coreia do Sul fecharam no azul. O índice Kospi de Seul avançou 1,58%, para 1.071,73 pontos.

(Marcel Salim - InvestNews)