Obama quer Brasil como fornecedor de petróleo

Jornal do Brasil

RIO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, vai embarcar para Washington, junto com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para participar da reunião entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Barack Obama. A informação, confirmada por fontes da própria estatal, é vista por analistas do setor como a confirmação da petroleira estatal brasileira como uma espécie de polo de aproximação estratégica entre os governos do Brasil e dos EUA, que poderão firmar nos próximos meses um acordo de cooperação na área petrolífera.

Segundo reportagem do diário espanhol El Pais, publicada nesta segunda-feira, os dois países teriam mantido contatos informais com o objetivo de fechar um acordo para aumentar a exportação de petróleo e derivados brasileiros para o território americano. Ainda de acordo com a reportagem, o governo de Barack Obama quer pôr fim à dependência energética com a Venezuela.

- Se o pacto comercial se concretizar algo que hoje depende unicamente do Brasil a consequência mais direta será o deslocamento da Venezuela do mercado energético americano, onde atualmente consegue colocar entre 40% e 70% de sua produção petrolífera - afirma o El País.

Procurada pela reportagem do Jornal do Brasil, a empresa não quis comentar a informação, mas fontes da companhia confirmaram a presença de Gabrielli na comitiva brasileira que participará da reunião na capital americana, no próximo sábado. Os presidentes do Brasil e dos EUA vão estabelecer o primeiro contato oficial entre os dois. Desde que assumiu a presidência americana, Barack Obama só teria tido um contato telefônico com Lula.

O jornal espanhol diz que recebeu de fontes diplomáticas e governamentais de Brasília a confirmação de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse em aumentar a presença brasileira no mercado americano de hidrocarbonetos, mesmo que isso implique colisão frontal com os interesses venezuelanos .

- Tudo dependerá da quantidade de petróleo que a Petrobras consiga bombear nos próximos anos dos poços perfurados nos litorais de Rio e São Paulo, assim como do marco jurídico que Washington e Brasília assinem - diz o jornal.

Mercado interno

O El País afirma que suas fontes em Brasília insistem em que o primeiro objetivo do governo Lula com os recém-descobertos campos de pré-sal é abastecer totalmente o mercado interno e deixar de depender das importações. Uma vez atingida essa meta, a Petrobas entrará na rinha pelos mercados mundiais de hidrocarbonetos e derivados. Por causa da proximidade geográfica e da fluidez do diálogo político que já estabeleceu com o novo presidente, os EUA se convertem no grande comprador natural do produto brasileiro.

O jornal lembra que 11% das importações americanas de petróleo vêm da Venezuela, mas que o governo dos EUA já estaria de olho há meses nos novos campos de petróleo encontrados no Brasil.