Lula e Vázquez vão discutir restrições argentinas

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - O intercâmbio comercial, a crise, o Mercosul, a questão energética e as medidas de controle de importações adotadas pela Argentina são alguns dos temas que o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, deverá discutir nesta terça-feira durante a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília.

Vázquez chega hoje ao país, acompanhado de uma comitiva formada pelo chanceler Gonzalo Fernández e os ministros da Economia, Álvaro García, e da Indústria, Daniel Martínez, além do presidente da petroleira estatal uruguaia, a Ancap, Raúl Sendic.

A crise econômica internacional e seu impacto sobre a região serão os pontos de destaque do diálogo. Há a expectativa de que, ao final do encontro, os dois mandatários emitam uma declaração conjunta que aborde estes temas.

A visita de Vázquez a Brasília coincide com o anúncio, feito na semana passada pelo governo argentino, da ampliação da exigência de licenças de importação para produtos dos setores agropecuário, automobilístico e de artigos domésticos.

Tanto industriais uruguaios quanto brasileiros criticaram as medidas argentinas, consideradas protecionistas.

No fim de janeiro, preocupado com o desempenho da balança comercial, o governo brasileiro também decidiu exigir licenças para compras de cerca de 3 mil produtos, o equivalente a cerca de 60% do valor total das importações do país.

A postura desagradou os demais sócios do Mercosul - Argentina, Paraguai e Uruguai, que pediram que as restrições não fossem estendidas aos membros do bloco.

No caso específico de Montevidéu, o presidente Vázquez conversou por telefone com Lula sobre a medida, que foi suspensa logo depois.

O Brasil é o principal parceiro comercial do Uruguai, pois compra 16,6% de tudo o que é exportado pelo país. Alguns dos principais itens vendidos são trigo, malte, cevada e plásticos.

A questão energética será outro ponto importante da agenda bilateral. Em janeiro, o Uruguai reclamou que não vinha recebendo os 70 megawatts de energia que o Brasil envia todos os dias. Na ocasião, Lula se comprometeu a restabelecer "imediatamente" o fornecimento.