Discurso de Buffett e bancos ditam rumo

SÃO PAULO, 9 de março de 2009 - O sentimento de cautela prevaleceu sobre os mercados nesta segunda-feira e a volatilidade predominou durante todo o dia. A ausência de fatos no horizonte que possa reverter o ambiente negativo, além das preocupações com o sistema bancário - quebra e nacionalização de bancos, associado às palavras do mega investidor Warren Buffett afirmando que a economia norte-americana caiu de um penhasco, penalizaram os negócios mundo afora.

Somado a isto, o relatório do Banco Mundial declarando que a economia global terá seu pior recuo desde a Segunda Guerra Mundial e que o comércio entre os países declinará vertiginosamente, contribuiu ainda mais para o pessimismo do mercado.

No âmbito corporativo, o governo britânico anunciou que garantirá 260 bilhões de libras (US$ 366 bilhões) em ativos podres do Lloyds Banking Group. Em contrapartida, o governo aumentará sua participação no capital da instituição para 65%, ou 77% se forem consideradas as ações preferenciais. Já o governo belga e o BNP Paribas divulgaram que fecharam um acordo para a aquisição do Fortis. O BNP Paribas ficaria com 75% do Banco Fortis, segundo informações do próprio governo belga.

Internamente os agentes financeiros repercutiram o resultado do IGP-DI que teve deflação de 0,13% em fevereiro, por conta da manutenção da variação negativa dos itens no atacado e uma queda das taxas no varejo e de construção. Também foi acompanhado pelos agentes o boletim Focus revelando que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 1,2%, ante estimativa de 1,5% feita na semana anterior. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode terminar este ano em 4,57%, abaixo da taxa prevista na sondagem passada (4,66%).

Diante disso, estão crescendo no mercado as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) será mais agressivo nos cortes da taxa básica de juros (Selic), a começar pela reunião desta semana. É esperado corte de até 1,5 ponto percentual. Isto porque, juro menor estimula a atividade econômica, já que torna o crédito mais barato.

Amanhã além de ser o primeiro dia da reunião do Copom, haverá a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), projeções mais freqüentes para o dado, são de queda de 2% ante o trimestre anterior. Será divulgado também a primeira prévia de março do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP).

No mercado acionário, o dia foi de forte volatilidade e as ações da Petrobras seguraram parte das perdas. Ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa marcou desvalorização de 0,98%, aos 36,741 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,75 bilhões.

O dólar caminhou na contramão e encerrou o pregão em leve baixa de 0,13%, vendido a R$ 2,38. No mercado de juros futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010 apontou taxa anual de 10,16% ante 10,35% do ajuste anterior. O DI de abril, que concentra as apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, ficou com taxa anual de 11,59%, ante 11,71% do fechamento anterior, após 273,9 mil operações (R$ 27,1 bilhões).

(Redação - InvestNews)