CNI: indústria nacional dificilmente terá crescimento em 2009

Portal Terra

BRASÍLIA - Diante dos dados negativos que apontaram queda nos indicadores industriais referentes a janeiro, o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Flávio Castelo Branco disse nesta segunda-feira que dificilmente a indústria brasileira apresentará ao fim do ano um crescimento positivo.

Na visão do economista, só uma melhora fenomenal, que fizesse o faturamento industrial atingir níveis parecidos aos do ano passado, poderia fazer com que o setor fechasse 2009 com crescimento positivo.

Mesmo ainda no início do ano, Castelo Branco não esconde o pessimismo do setor diante do aprofundamento da queda, que teve início no fim de 2008, quando a crise financeira mostrou seus efeitos sobre a indústria nacional.

- Estamos muito no começo do ano. Ainda haverá mudanças, recuperação da atividade em função de medidas tomadas e da possível melhora do ambiente internacional. É cedo para fazer previsões quantitativas, mas muito dificilmente a indústria vai mostrar crescimento em 2009 - afirmou.

- É possível que nós tenhamos um dado negativo se for mantido esse quadro mais desfavorável do início do ano - completou. Na visão da CNI, uma redução mais brusca na política de juros praticada pelo Banco Central seria o principal fator que poderia contribuir com uma melhora no desempenho da indústria.

- A política monetária no Brasil de certo modo está um pouco atrasada em relação às dificuldades que nós temos. O ambiente deflacionário mundial, as dificuldades da economia, a redução do uso da capacidade, o excesso de estoques, faz com que as pressões inflacionárias sejam bastante tênues - avaliou Castelo Branco.

Segundo o economista, o quadro atual requer preocupação maior com crescimento da economia e não com a inflação.

- O risco de nós termos taxas negativas de crescimento é maior do que o risco de aceleração da inflação. Por isso acho que a política monetária no Brasil deveria acompanhar o que os outros países estão fazendo no resto do mundo e responder com cortes mais fortes de juros - defendeu.