Bolsa cai 0,98% em dia de volatilidade

SÃO PAULO, 9 de março de 2009 - O dia foi de forte volatilidade para as principais bolsas de valores mundiais. Por aqui, as ações da Petrobras seguraram parte das perdas, enquanto que no exterior, os investidores assimilaram notícias corporativas. Ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa marcou desvalorização de 0,98%, aos 36,741 pontos. O giro financeiro somou R$ 2,75 bilhões.

As ações da Petrobras, ao contrário do imaginado, não reagiram aos resultados trimestrais divulgados na última sexta-feira, e sim à valorização do Petrobras no mercado internacional (as ações preferenciais subiram 0,11%). "Mesmo reportando lucro líquido recorde em 2008 - R$ 33,9 bilhões (sem ajustes da Lei 11.638), montante 57,6% maior se comparado aos R$ 21,5 bilhões apresentados em 2007 - os números não agradaram. Inclusive ficaram piores que as projeções", afirma Guilherme Mazzilli, gestor de renda variável do Daycoval Asset Management.

De acordo com relatório da Ativa Corretora, a combinação entre queda nos preços dos derivados, ajuste negativo de estoques e aumento substancial das provisões e das despesas operacionais foram os principais destaques negativos do resultado da estatal brasileira de petróleo no quarto trimestre de 2008. "O nível de endividamento também cresceu no último trimestre de 2008, atingindo a dívida bruta R$ 64,7 bilhões (34% a mais que o registrado ao final do terceiro trimestre de 2008, bem acima do efeito cambial) refletindo a necessidade de recursos para fazer frente ao volume recorde de investimentos alcançado no quarto trimestre".

Outra empresa brasileira que se destacou no dia foi a Redecard. A companhia divulgou que um dos seus acionistas, o Citibank, fez uma oferta secundária de ações ordinárias, de sua titularidade, com distribuição no Brasil e exterior. Das 114,4 milhões de ações em seu poder, 106,7 milhões delas serão distribuídas, entre mercado e uma oferta para o acionista controlador, o Itaú Unibanco.

Esta é a primeira oferta pública desde julho do ano passado, quando a Vale do Rio Doce disponibilizou 19 milhões de ações ao mercado. Ao final do dia, as ações ordinárias da Redecard marcaram desvalorização de 5%. "Vejo a oferta como uma necessidade de capitalização do Citibank e não como uma retomada do mercado de ofertas de ações. O momento não está propício para ofertas já que não há recursos disponíveis para se pagar o preço justo", ressalta o gestor de renda variável do Daycoval Asset Management

No âmbito externo, ainda persiste uma certa dose de pessimismo e aversão ao risco entre os investidores. E as notícias corporativas divulgadas hoje corroboraram com este sentimento. Durante o final de semana, o governo britânico anunciou que garantirá 260 bilhões de libras (US$ 366 bilhões) em ativos podres do Lloyds Banking Group. Em contrapartida, o governo aumentará sua participação no capital da instituição para 65%, ou 77% se forem consideradas as ações preferenciais. Já o governo belga e o BNP Paribas divulgaram que fecharam um acordo para a aquisição do Fortis. O BNP Paribas ficaria com 75% do Banco Fortis, segundo informações do próprio governo belga.

Mas, nem todas as notícias trouxeram desânimo para os negócios. Os conselhos de administração da Merck e Schering-Plough anunciaram nesta segunda-feira a conclusão de um acordo para a fusão da companhias, numa transação que envolve troca de ações e pagamento em dinheiro, no valor de US$ 41,1 bilhões.

(Vanessa Correia - InvestNews)