Atividade teve pior início de ano desde 2003

SÃO PAULO, 9 de março de 2009 - A atividade industrial iniciou este ano com um comportamento bastante similar ao registrado no fim de 2008, segundo a pesquisa Indicadores Industriais divulgada nesta tarde pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dois fatos chamaram a atenção: a variação negativa para a maioria dos indicadores pesquisados; e a intensidade das quedas. "Este foi o pior início de ano para a indústria em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2003", aponta o documento.

No primeiro mês de 2009, o faturamento recuou 4,3% em relação a dezembro, após ajuste para a sazonalidade. Esse resultado ocorreu mesmo após a redução de 10,6% desse indicador no acumulado do quarto trimestre de 2008 (quando comparados os meses de dezembro com setembro). Na comparação com janeiro de 2008, a variação negativa do faturamento ficou ainda mais intensa (-13,4%), o que resultou na maior queda desse indicador - e a única de dois dígitos - da série.

O emprego caiu 0,7% na passagem de dezembro para janeiro - o terceiro recuo consecutivo, acumulando queda de 2,4% nesse período (indicador dessazonalizado). "O processo de redução de postos de trabalho na indústria é claro pelo registro da primeira queda em três anos do indicador comparado com o mesmo mês do ano anterior".

A indústria operou, em média, com 78,4% da capacidade instalada - após ajuste sazonal -, o que representa uma queda de 1,0 ponto percentual na comparação com o mês anterior. Com o mês de janeiro, a utilização da capacidade instalada acumulou uma retração de 4,6 p.p. nos últimos quatro meses. Em igual mês de 2008, 83,3% do parque industrial estava sendo usado.

De acordo com a CNI, o número de horas trabalhadas foi a única variável que registrou crescimento frente ao mês anterior (1,3%), no indicador dessazonalizado. No entanto, deve-se ressaltar que nos três meses anteriores acumulou-se queda de 10,3%. Portanto, o aparente bom resultado desse indicador em janeiro só foi possível pela fraca base de comparação. Na comparação com janeiro de 2008, houve retração de 6,5%.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)