Alimentos dão alívio ao orçamento do paulistano

SÃO PAULO, 9 de março de 2009 - Morar na capital paulista ficou mais barato em fevereiro para quem ganha menos que R$ 400, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O Índice do Custo de Vida (ICV) subiu 0,02%, ficando praticamente estável em relação a janeiro, quando houve inflação de 0,69%. Em 12 meses, o ICV acumula alta de 5,95%.

O alívio no orçamente partiu das despesas com alimentação (-0,24%), por conta da queda nos preços in natura e semi-elaborados. Alimentar-se fora de casa ficou ligeiramente mais caro (0,72%) e para comprar os produtos industrializados, o consumidor pagou em média 0,54% mais. Entre as maiores altas do período está o açúcar (7,19%).

As liquídações de roupas e calçados também impactaram positivamente no custo de vida do paulistano. O grupo vestuário teve deflação de 1,02%.

Em contrapartida, ocorreu elevação de 0,29% em transporte, puxado pelo reajuste de 0,88% no transporte coletivo, resultado dos aumentos de 3,62% nas tarifas do metrô; de 5,92% nos ônibus intermunicipais; de 4,69% nos trens de subúrbios. Já habitação (0,22%), foi puxado pelos gastos com locação, impostos e condomínio (0,93%), sendo influenciado, principalmente, pelo aumento dos aluguéis (1,99%).

No entanto, ao considerar a renda das famílias, o Dieese revela que custo de vida ficou bem menor para quem ganha menos. Os grupos com renda de R$ 377,49 tiveram o custo de vida reduzido (-0,02%) em fevereiro. A taxa é identica para a faixa intermediária (R$ 934,17). Já as famílias com renda acima de R$ 2.792,90 sofreram uma inflação de 0,04%. A mudança se deve ao peso da alimentação no orçamento das famílias de baixa renda. No caso dos grupos com melhor rendimento, a alimentação divide mais espaço com outros gastos como educação e lazer.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)