Obama: todos os pilares no lugar para a recuperação econômica este ano

Agência AFP

WASHINGTON - O presidente Barack Obama afirmou que espera pôr nos lugares "todos os pilares" necessários à recuperação econômica dos Estados Unidos ainda este ano, e que vai evitar um novo apelo ao Congresso por mais recursos para estabilizar o sistema financeiro, segundo entrevista ao jornal The New York Times publicada neste sábado.

- Nossa convicção e nossa espera é a de que consigamos isto ainda neste ano - disse Obama, a bordo do Air Force One, o avião presidencial, na sexta-feira.

- Quanto tempo isto levará, antes de a recuperação se traduzir num mercado de emprego mais forte, dependerá de um grande espectro de fatores - acrescentou o presidente. - Não acredito que alguém possa ler numa bola de cristal - assinalou nessa entrevista divulgada no site do jornal.

O presidente Obama evocou também a necessidade de uma coordenação com outros países "porque o que acontece na Europa retorna para nós e tem um impacto em nossos mercados".

Obama que pretende gastar 250 bilhões de dólares suplementares para salvar os bancos americanos, considera que este montante inscrito no orçamento deva ser suficiente.

- Vamos nos assegurar de que o sistema financeiro seja estabilizado com os recursos à disposição. Achamos que os 250 bilhões de dólares sejam uma boa estimativa e não temos motivo para revisar esta quantia no orçamento - afirmou.

Ouvido sobre se o governo estaria pronto para deixar mais uma nova grande instituição financeira fechar se ele não fizer novo pedido de recursos ao Congresso, o presidente assegurou: "faremos de tudo para evitar isso".

Pressionado sobre questões de natureza política, o presidente Obama defendeu-se de ser socialista.

- Quando você olha o orçamento, a resposta é não - disse ele ao jornalista. - Se você olha as receitas que propomos, retornamos essencialmente às taxas de impostos que existiam nos anos 1990 quando, se me lembro bem, os ricos se comportavam muito bem.

- O senhor é socialista ou liberal? - insistiu o jornalista do New York Times. - Não quero me lançar nesta discussão - cortou o presidente num primeiro tempo.

O jornal conta que, visivelmente alterado pela questão, Barack Obama chamou alguns instantes mais tarde os jornalistas para arrematar: "não foi sob meu governo que começamos a resgatar partes dos bancos".

- O fato de devermos tomar medidas extraordinárias e intervir não é uma indicação de minha preferência ideológica mas uma indicação da amplitude da falta de regulação e dos riscos extravagantes que precipitaram a crise - disse.