Lucro da Ambev no 4o tri cai 15%, para R$964,5 mi

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SÃO PAULO - A AmBev, que integra a maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch InBev, encerrou o quarto trimestre com uma queda de cerca de 15 por cento no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2007. O resultado foi afetado por novas regras contábeis.

A empresa fechou os três últimos meses de 2008 com lucro líquido de 964,5 milhões de reais ante ganho um ano antes de 1,132 bilhão de reais.

O ajuste contábil envolveu reclassificação de despesa com amortização de ágio de 1,253 bilhão de reais na linha outras despesas operacionais líquidas, informou a AmBev no balanço. Sem esse ajuste, o lucro líquido do quarto trimestre teria de 1,313 bilhão de reais, 16,3 por cento maior que o obtido entre outubro e dezembro de 2007.

A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de 2,92 bilhões de reais, crescimento de 3,8 por cento. A margem caiu de 48,3 por cento nos três últimos meses de 2007 para 44,9 por cento.

No ano, a AmBev teve lucro líquido de 3,059 bilhões de reais, expansão de 8,6 por cento sobre 2007.

A empresa não informa previsões para 2009 no balanço, mas afirma que "olhando para 2009 e o cenário difícil da economia global, acreditamos que a característica defensiva da nossa indústria e a nossa diversidade geográfica de operações serão ativos importantes".

A empresa informou que "tivemos um início de verão difícil no Brasil com clima mais frio e inflação de alimentos, juntamente com nossa perda de share decorrente dos nossos aumentos de preço, nos levando a uma queda de volumes no trimestre". "O Canadá mais uma vez entregando bons resultados de preço e economias de custos fixos", acrescentou a companhia.

A receita líquida de 6,5 bilhões de reais no quarto trimestre foi 11,6 por cento maior que a obtida um ano antes e em volumes houve queda ligeira de 0,2 por cento, para 43,955 milhões de hectolitros.

O volume de vendas de cerveja no quarto trimestre no Brasil caiu 3 por cento, para 21,183 milhões de hectolitros, enquanto o Ebitda da operação somou 1,592 bilhão de reais, queda de 7,6 por cento. A margem da operação recuou de 54,1 para 49,4 por cento em relação aos três últimos meses de 2007.

- O desempenho deveu-se a pressão da inflação de alimentos sobre a renda disponível, clima desfavorável em regiões chave, perda de market share e uma base de comparação difícil- informou a AmBev.

Em comparação, a operação argentina Quinsa de cerveja registrou alta de 8,8 por cento nos volumes, para 6,584 milhões de hectolitros. Já o Ebitda saltou 54 por cento, para 564 milhões de reais, com a margem recuando de 58,9 para 57,3 por cento.