Setor privado dos EUA reduz empregos; serviços caem

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REUTERS - Companhias privadas dos Estados Unidos cortaram quase 700 mil empregos em fevereiro e a queda no setor de serviços se aprofundou, conforme a recessão que já dura um ano mostra poucos sinais de abatimento, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira.

O setor privado cortou 697 mil empregos, ante 614 mil em janeiro, de acordo com um relatório da ADP que sugere que os fortes declínios sinalizam os dados mais amplos do governo que serão divulgados na sexta-feira. Economistas estimavam um corte de 610 mil empregos no setor privado em fevereiro.

A queda do setor de serviços acelerou em fevereiro, segundo o Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, sigla em inglês), cujo índice de empregos também permaneceu em um nível baixo, apesar de uma melhora em relação ao mês passado.

- Essa é uma lenta recessão em forma de "U - disse Kurt Karl, economista-chefe da Swiss Re, em Nova York.

- Nós ainda estamos afundando. Não há sinal de um limite de queda - ressaltou.

- Além disso, o setor de serviços está mais pessimista com relação ao futuro e está se contraindo um pouco mais rápido. Está indo na direção errada - disse.

O setor de serviços representa cerca de 80% da atividade econômica dos Estados Unidos.

O segmento frequentemente resiste à recessão por mais tempo do que outras áreas, mas em fevereiro contabilizou por mais da metade dos cortes de emprego no setor privado relatados pela ADP, refletindo a rápida deterioração da economia nos últimos meses.

Com os mercados financeiros agora acostumados aos terríveis dados econômicos, as ações inicialmente subiram após a divulgação do relatório do setor de serviços pelo ISM, mas rapidamente perderam o impulso.

O Instituto de Gestão do Fornacimento (ISM, sigla em inglês) informou que seu índice - que monitora o setor de serviços - atingiu 41,6 em fevereiro, contra 42,9 em janeiro. Leituras abaixo do nível 50 indicam retração econômica. O indicador existe desde julho de 1997. Economistas previam uma leitura de 41.

O índice de preços pagos do ISM subiu, embora tenha mantido a tendência de contração, para 48,1 em fevereiro, contra 42,5 em janeiro. Novos aumentos sem sinais de melhora da economia pode gerar preocupações de que os Estados Unidos estejam entrando em um período de estagflação, de fraca atidade e preços em alta.

O indicador de empregos do ISM avançou para 37,3 em fevereiro, ante 34,4 em janeiro, mas ainda se manteve no intervalo de retração. Economistas esperam que o relatório de emprego que será divulgado pelo governo dos EUA na sexta-feira mostre que aeconomia do país perdeu 648 mil postos de trabalho em fevereiro e que a taxa de desemprego cresceu de 7,6% para 7,9% no mês passado.

A taxa de desemprego dos EUA deve superar os 8%, podendo chegar a ultrapassar os 9%, afirmou o presidente da Macroeconomics Advisers, Joel Prakken. A empresa colabora na elaboração do relatório da ADP.