Ipea: juro a 7% no fim do ano geraria economia de R$ 30 bilhões

Portal Terra

BRASÍLIA - Como alternativa para minimizar os efeitos da crise financeira mundial no Brasil mantendo os gastos do governo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou nesta quarta-feira nota técnica apontando que uma redução da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 12,75% para 7% nominais ao ano até a última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de 2009 poderia trazer uma economia fiscal de R$ 30 bilhões.

Para enfrentar as turbulências econômicas, o Ipea indicou que o governo federal precisaria aliar a derrubada dos juros com a ampliação dos gastos sociais e dos projetos de investimento - fundamentais para garantir que empreendimentos privados ocorram.

- A política ideal, do ponto de vista fiscal, para o enfrentamento da crise é aquela que combina redução da taxa de juro Selic, porque reduz uma despesa que tem baixa capacidade de gerar renda e novos empregos, com ampliação dos gastos sociais, na medida em que a velocidade da crise exige a utilização de instrumento cujo efeito seja rápido, e dos gastos de investimento, que melhoram as condições para que novos investimentos privados ocorram- observou o diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos do Ipea, João Sicsú.

-(A Selic de 7%) não é algo considerado despropositado para a realidade que estamos vivendo, já que a taxa Selic média nesse cenário seria de aproximadamente 10% (ao ano). É uma taxa considerável, particularmente para o momento de crise- comentou.

Além do cenário de redução dos juros, "a manutenção ou ampliação dos gastos públicos deve ser rápida", avalia Sicsú. "(Os gastos públicos) são remédios complementares de enfrentamento da crise", destaca, lembrando que sua ampliação teria o papel de estimular a demanda privada e reconstruir a base sobre a qual os empresários formam suas expectativas.

Em meio às discussões na Justiça trabalhista sobre demissões supostamente imotivadas, o diretor do Ipea avalia que a velocidade da queda de emprego e da atividade industrial não pode ser explicada apenas pelos problemas no mercado de crédito, e sim pela apreensão e receio dos empresários, que "engavetam investimentos", e dos trabalhadores, que reduzem seu consumo por precaução.

Na contramão do discurso do empresariado, que chegou a propor ao governo um maior número de reuniões do Copom para que a Selic pudesse ser reduzida, Sicsú observa que o cenário de pessimismo está tão acirrado que os investimentos do setor privado não aumentariam de patamar apenas com a queda da taxa básica de juros.

- Tanto faz uma taxa de juros de 12%, 11% ou 10% em termos de reação para a economia privada, mas em termos fiscais isso faz toda a diferença possível. Ouso dizer que os empresários não passariam a investir de a taxa de juros caísse 3 pontos, porque a expectativa está muito deteriorada- afirmou.

Na avaliação da entidade, se a redução desejada - de 5,75 pontos percentuais - ocorresse logo na próxima reunião do Copom, nos dias 10 e 11 de março, por exemplo, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões. Mesmo assim, a eventual nova Selic de 7% ainda seria "demasiadamente alta para tempos de crise" e corresponderia a patamar maior que as atuais taxas básicas de juros de países como China, Austrália, Coréia do Sul, Canadá, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e do bloco da União Européia.