Economia chinesa anima mercados, mas clima pode mudar

SÃO PAULO, 4 de março de 2009 - A melhora da atividade industrial na China, terceira maior economia, e as expectativas otimistas com o novo pacote de estímulo chinês animam os mercados mundiais nesta manhã, após um dia de intensa volatilidade, e apesar das notícias ruins como queda no nível de atividade na zona do euro e a contração do PIB australiano. Instantes atrás, o dólar comercial caía 0,41%, cotado a R$ 2,399 na compra e R$ 2,401 na venda. A valorização das commodities e das principais bolsas de valores contribui com o movimento.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, deve anunciar amanhã um pacote que prevê investimentos em infra-estrutura e na indústria. O plano completaria os 4 trilhões de iuanes (US$ 585 bilhões) anunciado pelo governo no final do ano passado e tem por objetivo favorecer os setores com maior capacidade de geração de emprego.

Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK corretora, se o clima ameno das praças internacionais se estenderem ao longo do dia, os preços dos ativos brasileiros devem se recuperar de forma ainda mais contundente que os externos, já que, na condição de exportador de commodities, o Brasil é um beneficiário de primeira ordem da manutenção de um crescimento forte na China.

As atenções também se voltam para a agenda de indicadores norte-americano, com potencial para azedar o humor dos agentes. Logo mais, a consultoria ADP Employment divulga o relatório sobre o mercado de trabalho em fevereiro, com perspectiva de corte de vagas. Vale lembrar que os dados oficiais do departamento de trabalho dos EUA saem na sexta-feira. A sessão ainda reserva o índice de atividade no setor de serviços e o livro bege do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) - sumário sobre as condições da economia norte-americana.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)