Compasso de espera reduz negócios nesta quarta-feira

SÃO PAULO, 4 de março de 2009 - Os investidores adotaram o compasso de espera nos negócios de hoje e reduziram o volume de operações no mercado de renda fixa. O mercado aguarda para a semana que vem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que definirá o rumo da taxa Selic fixada em 12,75% ao ano.

Na BM&FBovespa as projeções de juros fecharam em queda no curto prazo e leve alta nos prazos mais longos com os investidores realizando lucro. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro projetou juro de 10,67% para a virada do ano, contra 10,69% do último ajuste. Esse DI contabilizou 139,5 mil contratos fechados, com giro financeiro de referência de R$ 12,8 bilhões. Já os prêmios dos papéis para abril deste ano, que concentra as apostas para a reunião do Copom da semana que vem, passaram de 11,93% para 11,90% ao ano. O DI de janeiro de 2012 subiu de 11,29% para 11,35% ao ano.

Na próxima quarta-feira, o Copom anuncia sua decisão para a taxa básica de juros. O corte de 1 ponto percentual na Selic já está consolidado, no entanto, uma ala mais otimista do mercado acredita em corte 1,5 ponto. A principal justificativa para o afrouxamento monetário continua sendo o enfraquecimento dos níveis de atividade.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, ressalta que o agravamento progressivo da crise, empurrando a economia mundial para uma recessão profunda, tem gerado impactos negativos crescentes sobre a economia brasileira, com quedas significativas na produção e emprego.

Por outro lado, o economista lembra que o ambiente inflacionário tem apresentado números favoráveis, compatíveis com uma inflação que caminha para o centro da meta, favorecendo a redução das expectativas inflacionárias. "Neste contexto, o comitê deverá promover outro corte de 100 pontos base na próxima semana", comenta.

Os agentes financeiros repercutiram positivamente a idéia de que o vigor da economia chinesa poderá tornar menos dolorosa a crise mundial e isso trouxe certo alívio aos mercados nesta quarta-feira.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)