China devolve ânimo aos mercados e dólar cai

SÃO PAULO, 4 de março de 2009 - A ideia de que o vigor da economia chinesa poderá tornar menos dolorosa a crise mundial traz certo alívio aos mercados nesta quarta-feira, favorecendo a valorização no preço das commodities e das principais bolsas de valores e por conseqüência, queda do dólar. No fim da manhã, a moeda norte-americana cedeu 1,08%, para R$ 2,385 na venda. Segundo analistas, a percepção de que a economia brasileira está em condições muito melhores do que o restante dos países para atravessar a crise também contribui com a trajetória do câmbio.

O viés favorável dos mercados nesta sessão é atribuído à expectativa de que o governo chinês possa estar preparando um novo plano de estímulo à sua economia. Além disso, a Federação de Compras e Logística da China informou que a atividade do setor manufatureiro no país registrou ligeira alta em fevereiro, apesar de ainda estar em níveis que indicam contração.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, destaca que os índices futuros da bolsa de Nova York operam com expressiva alta, influenciados também pelas notícias que vieram da China e pelo desabafo do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, sobre a seguradora AIG, que pode apressar medidas para o setor financeiro. O chairman também disse ontem que as medidas já anunciadas pelo governo dos EUA serão determinantes para promover a recuperação da economia.

Mas especialistas admitem que sem uma sinalização positiva dos Estados Unidos, as chances de uma recuperação consistente dos ativos são escassas. Lá na terra do tio San, o setor privado fechou em fevereiro o maior número de postos de emprego desde o início da leitura em 2001 e o setor de serviços continuou em retração no mês passado. Ainda hoje, será divulgado o Livro Bege do Fed.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)