Previsão aponta corte inédito e juro menor que 2%

SÃO PAULO, 3 de março de 2009 - Pela primeira vez em sua história, o Banco Central Europeu (BcE, na sigla em inglês) deve reduzir, na quinta-feira, sua taxa básica de juros para menos de 2%, como medida para enfrentar o agravamento da crise econômica, segundo previsão dos analistas. Há um mês a ideia de reduzir a taxa de refinanciamento - que determina o nível do crédito na zona euro - a menos de 2% parecia inconcebível para os guardiões da moeda única européia.

Mas a recessão nos 16 países do euro está se agravando e vem obrigando o BCE a explorar novos territórios: economistas consultados pela imprensa norte-americana esperam redução entre 0,5 ponto percentual e 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente em 2%. Desde outubro, a taxa caiu 2,25 pontos percentuais. Em dezembro, a instituição promoveu, inclusive, uma redução de 0,75 ponto percentual de uma só vez, algo inédito.

"O radar do BCE acusou diversos sinais antes da reunião desta semana e todos dão conta do agravamento da recessão", indicou o Royal Bank of Scotland, em relatório.

Depois de uma queda de 1,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008, a zona euro pode registrar um desempenho igualmente ruim no primeiro trimestre deste ano.

A indústria vem sofrendo também com a desaceleração da demanda mundial. A atividade do setor industrial da zona euro caiu em fevereiro pelo nono mês consecutivo. Os medidores de confiança dos empresários e das famílias continuam caindo. O crédito está cada vez mais escasso.

O desemprego continuou subindo em janeiro, a uma taxa de 8,2%, seu máximo desde setembro de 2006. A rápida deterioração do mercado de trabalho é preocupante. Afeta o consumo das famílias e pode colocar em risco os efeitos benéficos dos planos de reativação governamentais e uma inflação que continua fraca apesar de uma ligeira alta, a 1,2% em fevereiro, segundo um dado provisório.

O BCE também deve anunciar nesta quinta-feira uma revisão drástica de suas previsões de inflação e de crescimento. Em dezembro, antecipava uma contração de 0,5% na média do PIB de 2009, uma estimativa que se tornou obsoleta, como já havia reconhecido em janeiro o presidente do BCE, Jean Claude Trichet.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)