Clima tenso volta na Argentina

SÃO PAULO, 3 de março de 2009 - O clima entre o governo argentino e as indústrias agrárias voltou a ficar tenso nesta terça-feria durante a negociação sobre o imposto nas exportações de alimentos. ´Queremos discutir os impostos sobre as vendas externas´, disse Eduardo Buzzi, um dos líderes do protesto, que em 12 de março completa um ano, período em que a popularidade da presidente Cristina Kichner caiu de 55% para 30%.

A Argentina exportou, em 2008, US$ 25 milhões em matérias-primas agrícolas e US$ 14 milhões em agroindustrializados, o que representa mais de 50% das vendas externas do país. O imposto sobre esses produtos significa 12% da arrecadação total do governo, que no ano passado teve um superávit fiscal recorde, equivalente a 4,6% do Produto Interno Bruto.

O governo argentino havia oferecido, na semana passada, alívio fiscal e subsídios para carnes, lácteos, trigo e milho. Porém, representantes rurais pedem o fim do tributo para a soja e girassol, os cultivos mais rentáveis da última década e que impulsionou economicamente a região do Pampa Húmeda.

O país é o maior produtor mundial de óleo de soja e de girassol, além de figurar entre os cinco maiores em trigo e milho, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Cristina Kirchner e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), enfrentam este ano um duro desafio na renovação do Parlamento, já que perderam muito aliados devido as discrepâncias no conflito com os agricultores.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)