Cena externa dita rumo; dólar cai

SÃO PAULO, 3 de março de 2009 - A instabilidade das bolsas internacionais e os discursos de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e de Timothy Geithner, secretário do Tesouro, comandaram o ritmo dos negócios nesta terça-feira.

No congresso, Bernanke afirmou que o efeito do pacote econômico de estímulo fiscal sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos poderá variar entre 1% e 3%, podendo até superar esse percentual no ano de 2010. As estimativas são do Escritório de Orçamento do Congresso Norte-Americano (CBO, na sigla em inglês).

Ele também se mostrou "furioso" com a situação da seguradora AIG. "Se houve um acontecimento que nos últimos 18 meses me deixou furioso foi o da AIG", afirmou. "Tomamos estas medidas [dois aportes bilionários] porque, para começar, achamos que a quebra da maior seguradora do mundo seria catastrófica para a estabilidade do sistema financeiro mundial", explicou Bernanke.

Somado a isto, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, afirmou que o plano de salvação do setor bancário norte-americano pode custar mais do que os US$ 700 bilhões estipulados e que é necessário chegar a um acordo para 'determinar a dimensão e a forma apropriada' de novos planos de resgate.

Do lado dos indicadores, a venda de imóveis pendentes caiu 7,7% em janeiro, na marca de 80,4, atingindo o nível mais baixo desde o começo do monitoramento, em 2001, surpreendendo negativamente os mercados.

Em Nova York, Dow Jones desceu 0,55% para 6.726 pontos e o S&P 500 perdeu 0,64% para 696 pontos, valor mais baixo desde outubro de 1996. Os dois índices acumulam perda de mais de 22% no ano. O Nasdaq recuou 0,14% para 1.321 pontos, com perda de 16,2% em 2009.

Por aqui, o que salvou o índice acionário da BM&FBovespa de nova derrocada foram as blue chips. O preço do petróleo no mercado internacional, assim como as commodities metálicas, avançaram forte em meio a especulações de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pode tomar novas medidas para sustentar a relação oferta/demanda no encontro programado para o dia 15 de março. De acordo com o ministro de petróleo do Irã, Gholamhossein Nozari, a Opep deverá implementar os maiores cortes de produção já realizadas na história do cartel. Ao final do pregão, o Ibovespa marcou valorização de 0,64%, aos 36.467 pontos. O giro financeiro somou R$ 3,89 bilhões.

No mercado de juros futuros, os contratos de juros futuros passaram por um pregão de ajustes e acumularam prêmio de risco na BM&FBovespa, acompanhando o clima tenso dos mercados internacionais. No fim do dia, o contrato de DI para janeiro de 2010 saltava de 10,67% para 10,71%, enquanto que os prêmios dos papéis para abril deste ano, que concentra as apostas para a reunião do Copom da semana que vem, passaram de 11,93% para 11,94% ao ano.

Já as cotações da moeda norte-americana novamente refletiu as especulações de investidores, especialmente os estrangeiros que têm posição comprada líquida em dólar futuro em torno de US$ 14 bilhões, e que amparados pelo ambiente externo ruim atuaram negócios durante boa parte do dia a fim de garantir taxas mais altas para posteriormente reduzirem essas posições com melhor retorno possível de curto prazo. O dólar chegou à máxima de R$ 2,443, mas não resistiu aos ingressos de recursos e aos ajustes de posições - depois de avançar quase 4% nos dois últimos dias - e terminou em queda de 1,11%, vendido a R$ 2,411.

(Redação - InvestNews)