Plano de ajuda a bancos não anima e bolsa cai 2%

SÃO PAULO, 10 de fevereiro de 2009 - Os detalhes do plano de ajuda ao setor financeiro norte-americano, divulgados nesta tarde pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, não agradaram os investidores. Nem mesmo o aprovação, pelo Senado, do pacote de resgate econômico foi suficiente para reverter as fortes perdas registradas pelos principais mercados acionários mundiais nesta terça-feira. O índice acionário da BM&FBovespa acabou encerrando o dia em queda de 2,12%, aos 41.207 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,49 bilhões.

"A queda do Ibovespa só não foi maior porque os papéis da Petrobras recuaram pouco", afirma Luiz Roberto Monteiro, analista de investimentos da corretora Souza Barros. Apesar das ações seguirem a cotação do petróleo pela manhã, os investidores se animaram com a notícia de que a Mitsubishi Corporation fará uma parceria com a estatal petrolífera para a construção de uma plataforma marítima de perfuração para buscar petróleo e gás natural.

Nesta tarde, Geithner deu mais detalhes sobre o pacote de ajuda ao setor financeiro norte-americano (Plano de Estabilização Financeira), avaliado em US$ 1,5 bilhão: US$ 500 bilhões virá por meio de uma parceria público-privada e US$ 1 trilhão oriundos da ampliação de uma linha de crédito do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), a Term Asset-Backed Securities Loan Facility (TALF). ´O desânimo veio quando os investidores se deram conta que o pacote não contemplava a criação do ´Bad Bank´, que administraria os ativos podres dos bancos afetados pela crise´, disse Monteiro.

Quanto ao outro plano, de resgate econômico norte-americano, o Senado aprovou a proposta com valor de cerca de US$ 838 bilhões. Pela votação, 61 parlamentares votaram à favor do pacote e 37 votaram contra. O pacote ainda terá que ser conciliado com a versão de US$ 819 bilhões, que foi aprovada na Câmara de Representantes (Deputados) no dia 29 de janeiro. Para isso será criada uma comissão com representantes das duas casas, indicados pelas lideranças partidárias, que terão que resolver as diferenças entre as duas legislações e criar um projeto comum.

Notícias corporativas também pesaram sobre os negócios. A General Motors (GM) comunicou que vai demitir 10 mil funcionários do setor administrativo, para deixar seus quadro de pessoal com 63 mil funcionários, ainda este ano. O anúncio faz parte do plano de reestruturação que o grupo espera adotar para convencer o governo norte-americano de que é viável no longo prazo, em troca da liberação de vários bilhões de dólares de ajuda pública. O plano de retomada deve ser apresentado até 31 de março, com uma prévia até 17 de fevereiro.

(Vanessa Correia - InvestNews)