EUA: entenda como funcionam os novos planos de ajuda

Portal Terra

TERRA - Os Estados Unidos colocaram um peso adicional de até US$ 2,8 trilhões na luta contra os efeitos da crise financeira internacional nesta terça-feira. O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, anunciou a disponibilização de US$ 1,5 trilhão para a compra de ativos tóxicos de bancos e para melhorar a oferta de crédito no país - valor que pode passar a US$ 2 trilhões caso sejam necessários mais recursos para as instituições financeiras.

Minutos depois, o Senado passou um plano de US$ 838 bilhões em estímulos fiscais e aplicação de recursos em infra-estrutura - totalizando uma possível ajuda de até US$ 2,8 trilhões. Mas o pacote ainda precisa ser compatibilizado com uma versão de US$ 819 bilhões aprovado pela Câmara há duas semanas, antes de ser sancionado pelo presidente Barack Obama.

Tanto o plano anunciado pelo Tesouro quanto o em discussão no Congresso fazem parte das medidas de combate ao aprofundamento da crise financeira, que golpeou os preços dos ativos americanos, reduziu drasticamente os empréstimos e cortou cerca de 3 milhões de empregos desde seu início em 2008.

A iniciativa de Geithner, batizada de Plano de Estabilização Financeira, vai exigir uma ação coordenada de diversos órgãos do governo americano, entre eles o FDIC (agência garantidora de depósitos bancários) e o Federal Reserve (FED, o banco central americano).

O programa avaliará ativos dos bancos americanos com patrimônio acima de US$ 100 bilhões para determinar de quanto dinheiro eles precisam para continuar emprestando e cria um fundo público privado de US$ 500 bilhões (que pode ser expandido até US$ 1 trilhão) para comprar ativos tóxicos dos bancos.

De acordo com o New York Times, as injeções de capital nos bancos devem sair dos US$ 350 bilhões restantes do primeiro pacote de socorro ao mercado financeiro, no valor de US$ 700 bilhões, aprovado durante a gestão de George W. Bush. Geithner reconheceu ter sido injusta e ineficiente a primeira tentativa de socorro aos bancos.

Além disso, o Plano de Estabilização Financeira expande para US$ 1 trilhão um programa de US$ 200 bilhões iniciado pelo FED em novembro do ano passado para descongelar o crédito ao consumidor, principalmente nos setores automotivo, estudantil e para pequenas empresas.

Já o pacote aprovado pelo Senado é uma iniciativa defendida pelo presidente americano desde que assumiu o cargo e é constituído por incentivos fiscais e investimentos em infra-estrutura. As propostas aprovadas pelo Senado e pela Câmara são parecidas, mas há diferenças importantes no tocante às prioridades de gasto e a uma proposta de expansão do programa de assistência médica federal.

O pacote aprovado pela Câmara também prevê mais verbas para escolas e governos locais, enquanto o texto do Senado prevê mais cortes nos impostos. Outra diferença é em relação à cláusula "Buy American" (compre produtos americanos, em tradução livre), que previa que somente aço, minério de ferro e manufaturados produzidos nos EUA poderiam ser usados em projetos contemplados pelo pacote.

Na semana passada, o Senado decidiu amenizar a cláusula, acusada de ser protecionista, ressaltando que a restrição "deve ser aplicada de uma maneira que contemple as obrigações dos Estados Unidos em acordos internacionais". Obama acredita que o pacote possibilitará a criação de até quatro milhões de empregos no país e espera poder sancioná-lo até o próximo dia 16.